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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ALTAMIRA


FACULDADE DE ETNODIVERSIDADE
CURSO ETNODESENVOLVIMENTO

ANA FLÁVIA DE SOUZA SANTOS

APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS DA FÁBRICA DE


POLPAS DE FRUTAS DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES CAMPO VERDE,
ITAITUBA-PARÁ.

Altamira/PA
2018
ANA FLÁVIA DE SOUZA SANTOS

APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS DA FÁBRICA DE


POLPAS DE FRUTAS DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES CAMPO VERDE,
ITAITUBA-PARÁ.

Trabalho de Conclusão de Curso – TCC -


Projeto de Intervenção, apresentado ao
Curso de Licenciatura e Bacharelado em
Etnodesenvolvimento como requisito
parcial para obtenção dos títulos de
Licenciatura e Bacharelado em
Etnodesenvolvimento, da Universidade
Federal do Pará/Campus Universitário de
Altamira.

Orientadora: Drª Carla Giovana S. Rocha

Altamira/PA
2018
Ana Flavia de Souza Santos

APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS DA FÁBRICA DE POLPAS


DE FRUTAS DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES CAMPO VERDE, ITAITUBA-
PARÁ.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Drª Carla Giovana Souza Rocha- Faculdade de Etnodiversidade (Orientadora)

Profª. Drª Eliane Sousa Faria- Faculdade de Etnodiversidade

Profª Drª Maristela Da Silva Marques- Faculdade de Engenharia Agronômica


AGRADECIMENTOS

Ao criador divino pelo dom da existência que me permitiu trilhar essa jornada de
caminhos diversos com muito aprendizado e troca de saberes e sabores.
Ao meu amado e querido filho Felipe de Souza Damasceno, por ter suportado minha
ausência, ainda tão criança sem compreender o porquê de estar longe de mim nos
períodos de alternância que me manteve por aqui, gratidão pela compreensão.
Antônio da Silva Damasceno, meu esposo, companheiro de longa data, muito obrigada
pela cumplicidade, dedicação que caminhamos juntos ao longo dessa trajetória.
Agradeço pelo Pai sem limites que és, indo além da sua capacidade superando os
desafios do dia a dia pelo bem estar de nosso filho e família.
Aos meus familiares e amigos pelo apoio ao longo desse tempo, expresso meu muito
obrigado.
Ao Movimento dos Atingidos por Barragens por acreditar no meu potencial me
concedendo a declaração de pertença para a representação do nosso coletivo dentro da
Universidade Federal do Pará. A Associação de Moradores de Campo Verde KM 30 e a
CPT, Fundo Dema, estaremos sempre na luta.
Aos professores e colaboradores do curso de Etnodesenvolvimento: Francilene Aguiar,
Eliane Faria, Assis Oliveira, Willian Domingues, Rosane de Fatima Fernandes, Cristina
Oshay, Rosa Acevedo, Flávio Barros, Nora Almeida, Monica Lizzardo, Raquel Lopes,
Débora Lopes, Gustavo Goulart Moura, Ana Lúcia Maia, muito obrigada a todas e
todos pelo compartilhamento teórico e pratico para comigo e minha comunidade de
pertença. A minha orientadora Carla Giovana Sousa Rocha, pela sua ajuda e
contribuição, compartilhar seus conhecimentos teóricos e práticos neste trabalho de
Conclusão da Graduação em Etnodesenvolvimento, meu muito obrigado.
Grata aos meus amigos e colegas de curso pelo apoio nos momentos dificuldades, que
chorei e sorrir, pelas alegrias, aprendizado que serão levados na memoria nos registros
fotográficos que fazem parte de nossa convivência durante 4 anos, levarei cada um e
cada no coração com ternura, em especial Ana Cléia Teixeira de Azevedo, Marksuel
Sandro de Medeiros, Leane Santos, Rusevel Pereira de Araújo, Maria do Livramento e
Rejânia Dias Macedo, firmes companheiros na luta.
Muito obrigado a todos e todas!
DEDICÁTORIA

Dedico este trabalho primeiramente а Deus, por ser essencial em minha


vida, autor de meu destino, ao meu pai Francisco Alves dos Santos (In
Memoriam) minha mãe meu maior exemplo Maria do Socorro de Souza,
meu esposo Antônio da Silva Damasceno, meus filhos e meus familiares e
amigos pelo carinho е apoio, que não mediram esforços para que eu
chegasse até esta etapa de minha vida.
LISTA DE SIGLAS

ADEPARA Agência de Defesa Agropecuária do Pará


AMCV Associação de Moradores de Campo Verde
CPT Comissão Pastoral da Terra
CODETER BR 163 Conselho de Desenvolvimento Territorial
DHESCA´s Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais Ambientais
EM Microrganismo Eficiente
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMBio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
MAB Movimento dos Atingidos por Barragens
MMA Ministério do Meio Ambiente
PNAE Programa Nacional de Alimentação Escolar
PAA Programa de Aquisição Alimentos
SBCTA Sociedade Brasileira de Ciências e Tecnologia de Alimentos
TU Tempo universidade
TC Tempo comunidades
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Mapa do Distrito de Campo Verde...................................................... 4


Figura 2 - Hortaliças na Feira de Campo Verde....................................................5
Figura 3 - Mapa do corredor da soja..................................................................... 6
Figura 4 - Fabrica de Polpa de Frutas....................................................................12
Figura 5 - Teste da compostagem orgânica com Em ........................................... 17
Figura 6 - Mutirão de reforma da fábrica.............................................................. 24
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Tipo e quantidade de resíduo por ano 20


Tabela 2 – Orçamento 21
Tabela 3 – Cronograma de execução 25

Sumário
1. INTRODUÇÃO 9

1.1. BREVE HISTÓRICO DA PRODUÇÃO EXISTENTE NA COMUNIDADE 14

1.2 JUSTIFICATIVA 20

1.3 OBJETIVOS 20

2. METODOLOGIA 21

2.1 TESTES DE COMPOSTAGEM 21

2.1.1 Produção de composto orgânico com fermentação lenta (bokashi) 23

2.1.2 Produção de composto orgânico de fermentação mais rápida 23

3. O PLANO DE AÇÃO 26

3.1 Público beneficiário 26

3.2 Metas 27

3.3 Infraestrutura necessária 27

3.4 Organização social 28

3.4.1 Estratégia para participação dos sócios 31

CONSIDERAÇÕES FINAIS 34

REFERÊNCIAS 34
1. INTRODUÇÃO

O curso de Licenciatura e bacharelado em Etnodesenvolvimento, da Faculdade de


Etnodiversidade da Universidade Federal do Pará (UFPA) Campus de Altamira, tem a
modalidade da pedagogia da alternância, na qual baseia-se em alternar tempos e espaços,
divididos em tempo universidade (TU) e tempo comunidade (TC). Nos meses de janeiro e
fevereiro, e julho e agosto ocorrem os tempos universidade, e entre estes, tem-se os tempos
comunidade (TC) com trabalhos de pesquisas, oficinas e acompanhamentos dos acadêmicos
pelos docentes da universidade, nas suas respectivas comunidades.
Quanto ao Trabalho de Conclusão de Curso, também ocorre de maneira diferenciada
na forma de um projeto de ação que é desenvolvido na comunidade de pesquisa durante o
tempo comunidade e é construído a partir da necessidade do grupo de pertencimento da
comunidade.
Devido o curso de Etnodesenvolvimento atender às demandas dos povos e
comunidades tradicionais e movimentos sociais foi que me ingressei na faculdade, com carta
de pertencimento a mim declarada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB),
região do Tapajós, município de Itaituba, estado do Pará. Quando retornei à comunidade
Campo Verde Km 30, em 2011, iniciei minha trajetória no movimento social, participando
das reuniões comunitárias, nos mutirões da igreja católica.
Por sempre opinar nas reuniões e participar nos debates fui convidada a fazer parte da
diretoria da associação de moradores, e apesar de não aceitar, continuei participando das
reuniões. Neste mesmo ano me solicitaram para colaborar na elaboração do projeto “Bem
viver com a natureza”, e desta vez não recusei o convite da associação, e passei a contribuir
na diretoria da qual faço parte como segunda secretária, mandato este que finaliza em 2018.
O projeto “Bem viver com a natureza” (nome dado à fábrica de polpas de frutas) é
uma conquista da associação de moradores de campo verde km 30.
A fábrica de polpas de frutas é um espaço de manipulação e armazenamento das
polpas de frutas que visa possibilitar condições para que os agricultores familiares realizem a
manipulação e o armazenamento de forma adequada das polpas de frutas, evitando assim
desperdícios e oportunizando geração de renda e alimentos para as famílias envolvidas.
Essa fábrica foi obtida através da organização social dos agricultores familiares de
Campo Verde km 30, a associação concorreu ao edital do Fundo Dema no ano de 2011.
Neste sentido, a proposta foi elaborada visando minimizar problemas vivenciados por
11

agricultores da região, que juntos produzem cerca de 20 toneladas de polpas de frutas por
ano.
Foi solicitado neste edital do Fundo Dema o valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) e
tendo como contrapartida o valor de R$12.300,00 obtido por doações (doze mil e trezentos
reais) da associação de moradores, totalizando R$ 42.300,00 (quarento e dois mil e trezentos
reais) para a implantação da fábrica na comunidade.
Atualmente a fábrica atende as necessidades das famílias envolvidas, que era um
espaço adequado para a manipulação e armazenamento das polpas de frutas dos agricultores
familiares. A gestão da fábrica de polpas de frutas dar-se-á a partir da diretoria da associação
contando com o presidente, tesoureiros, fiscais e sócios.
A fábrica funciona de segunda a sexta feira, no período comercial, tendo como
funcionários os próprios associados, que foram capacitados com curso de Boas práticas de
manipulação de polpas de frutas, ofertado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
(SENAR).
Quando a fábrica começou a funcionar veio a preocupação dos sócios como seria
realizada a coleta do lixo produzido, sendo que a prefeitura não reconhece o lixo (resíduos)
como doméstico, e sim como industrial.
Os sócios ficaram preocupados com a situação e questionava-se sobre a solução para
o problema. O ex-presidente mencionou que havia feito o curso de composto orgânico, mas
não tinha tempo disponível naquela época, pois estava como agente da Comissão Pastoral da
Terra (CPT) e quase sempre estava viajando a trabalho. A associação já conhecia o curso de
Etnodesenvolvimento, pois eu havia realizado a divulgação na comunidade. E assim surgiu,
juntamente com a comunidade, a proposta de reaproveitar os resíduos orgânicos da fabrica de
polpas de frutas de Campo Verde.
No primeiro momento quando pensei em meu trabalho de conclusão de curso, de
imediato almejava pesquisar sobre os direitos das crianças e adolescentes da minha
comunidade, mas foi aceito este outro grande desafio, e espero ter correspondido à altura do
que foi solicitado pela comunidade Campo Verde Km 30.
Esta proposta faz parte de uma visão mais ampla de melhoria das condições de vida
das populações e busca contribui com a visão de sustentabilidade social, econômica e
ecológica. Muito tem se falado recentemente em desenvolvimento sustentável e agroecologia
em seminários e conferências em nível nacional e mundial. Nesse sentido, com o objetivo de
demonstrar práticas agroecológicas voltadas aos agricultores familiares na comunidade de
Campo Verde Km 30, e juntamente com a Associação dos Moradores da Comunidade do Km
30, tem buscado políticas públicas voltadas à produção familiar diversificada, no contraponto
aos grandes projetos instalados e propostos para a região.
A comunidade Campo Verde está localizada há 32 quilômetros da sede município de
Itaituba, entre duas grandes rodovias federais, a BR 163-Santarém Cuiabá e a BR 230-
Transamazônica, cujo processo de colonização ocorreu por volta das décadas de 1970 e 1980,
com os primeiros pioneiros vindos de várias regiões, principalmente do Centro Oeste e do
Nordeste do país, para se integrarem na construção da Transamazônica (Figura 1).
Figura 1: Mapa do Distrito de Campo Verde, Itaituba.

Fonte: Secretaria de meio ambiente SEMA, Itaituba.

Em meios aos rios tapajós e florestas amazônicas, deu-se início ao processo de


fundação da comunidade do Km 30, que atualmente conta com aproximadamente 3.500
habitantes (IBGE, 2010). Na formação da comunidade na década de 1970, houve forte
presença de agricultores familiares, e de cultivos de lavouras brancas (cultivos alimentícios
anuais) como fonte principal de renda, consumo e geração de trabalho. Em seguida houve a
expansão do território, sendo incluindo a pecuária leiteira e de corte, a exploração madeireira,
que se intensificaram e estabeleceram na região, seguido do extrativismo vegetal de açaí
nativo, castanha do Pará, coco babaçu e demais produtos da floresta.

A comunidade Campo Verde Km 30, hoje é considerada como polo, pois existem em
seu entorno 43 comunidades rurais que usufruem de alguns serviços existentes como: posto de
saúde, escola infantil e fundamental, policiamento, feira de agricultores familiares, igrejas,
13

serviços de comércios, postos de gasolina e acesso asfaltado à cidade de Itaituba, além de


acesso às cidades da rodovia Transamazônica e Santarém Cuiabá.

A feira local funciona aos domingos numa pequena rua onde foram montadas as
barracas ao ar livre. Toda a produção que é vendida na feira vem da agricultura familiar de
Campo Verde e comunidades vizinhas que possuem uma grande variedade de legumes,
verduras e hortaliças (Figura 2).
Figura 2. Hortaliças na Feira de Campo Verde.

Fonte: Arquivo pessoal.

Essa produção vem de lotes, chácaras e quintais dos agricultores familiares que moram
na comunidade de Campo Verde. Nota-se que o escoamento da produção local é realizado
pelos próprios agricultores, pois faltam incentivos de políticas públicas voltadas para a
produção familiar.

Dentre os projetos ditos de desenvolvimento sustentáveis atuais, tem a implantação da


Usina de Aproveitamento Hidrelétrico de São Luís do Tapajós (com licenciamento ambiental
cancelado) no município de Itaituba, e a pavimentação das BR 163 e BR 230. Também são
discutidas as ferrovias e hidrovias, implantação da zona portuária de transbordo de grãos da
produção vinda de Mato Grosso das empresas Amaggi, Bungue, Cargil, Cianport e Bertolini
(empresas privadas nacional e internacional). Atualmente o Mato Grosso é o maior exportador
de grãos de soja e milho, e tem facilitado seu escoamento pelos portos às margens do rio
Tapajós, nos municípios de Itaituba e Miritituba, no Pará (Figura 3).

Estes grandes empreendimentos e estruturas que estão se estabelecendo na região do


Tapajós, mais precisamente em Itaituba, mostra a continuidade da concepção
desenvolvimentista e expropriadora na Amazônia, imposto pelo sistema capitalista, para
desencadear o foco da exploração dos rios, florestas e minérios, avançando-se com projetos
que não atendem à necessidade da população local e regional.
Figura 3. Mapa do corredor da soja no Estado de Mato Grosso e Pará.

Fonte: https://goo.gl/images/CR9Nzx

Harvey (2004) já destacava a agroestratégia destes conglomerados agroindustriais e os


consequentes com conflitos sociais e destruição ambiental.

Implantada a partir de uma combinação de elementos que vão de incentivos públicos


à formação de opinião pela mídia, passando por opções empresariais de
investimentos regionais, essa agroestratégia resulta não só em produção de
commodities agrícolas e não agrícolas para exportação, mas também em destruição
ambiental e conflitos sociais (BENATTI, 2003), materializando processos de
“acumulação por espoliação” (HARVEY, 2004).

Constata-se que o êxodo rural tem sido crescente na comunidade, chegando à mudança
de comportamento dos agricultores que estão vendendo seus lotes por preços exorbitantes
para grandes produtores de soja, vindos principalmente do Centro Oeste do país em
consequência dos empreendimentos que estão se fixando na região do Tapajós. Pode-se
também afirmar que os agricultores familiares estão deixando seus lotes por faltas de políticas
públicas que visem o fortalecimento da agricultura camponesa.
15

A concepção de desenvolvimento traz uma abordagem “desenvolvimentista”,


desconstruindo, descaracterizando culturas e modos de vida tradicionais que foram adquiridas
com seus antepassados por várias gerações e impondo novos conceitos de cultura e
sustentabilidade ambiental nos quais não se respeitam os Direitos Humanos garantidos por
Lei e não atendem as diversidades étnicas locais e regionais. A visão desenvolvimentista não
considera a realidade vivida pelas populações e comunidades tradicionais camponesas, e
muitos não percebem que o desenvolvimento sustentável parte de suas próprias organizações
sociais, que considera o social, o econômico e o coletivo por meios das associações de
moradores, Sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras Rurais, Movimentos dos Atingidos
por barragens, Comissão Pastoral da Terra.

Fernandes (2006) identifica na proposição de desenvolvimento sustentável “uma


articulação de símbolos, significados e conceitos capazes de mobilizar uma aceitação
mundial, um consenso altamente significativo” o qual requer um “um esforço intelectual
profundo para o enfrentamento das questões concretas envolvidas na discussão” (2006:135).

1.1. BREVE HISTÓRICO DA PRODUÇÃO EXISTENTE NA COMUNIDADE

No ano de 2008 foi criada a Associação de Moradores de Campo Verde km 30 (AMC)


com a finalidade de organizar e auxiliar os moradores do Distrito de Campo Verde e os
agricultores da comunidade local, e demais comunidades vizinhas, e para atuar nos segmentos
sociocultural, produtivo e ambiental. A entidade realiza trabalhos que os sócios julgarem
necessários e que esteja ao alcance da mesma, buscando o bem estar dos seus associados.
Atualmente, a principal bandeira de luta da associação é a regularização ambiental das
propriedades rurais de seus sócios e o apoio à diversificação da produção familiar para
geração de lucro e soberania alimentar.

A associação está vinculada ao Fórum dos Movimentos Sociais da BR 163- Pará, e a


mesma participam de espaços que discutem o desenvolvimento territorial sustentável, junto
com a Comissão Pastoral da terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). A
AMCV Km 30 participou do território da cidadania da BR-163, através do Conselho de
Desenvolvimento Territorial (CODETER BR 163) e do arranjo produtivo local da bacia
leiteira do município.
A Associação de Moradores de Campo Verde Km 30 tem buscado parcerias, trazendo
capacitações e formações para seus associados com incentivo para melhorar a diversificação
da produção, através de cursos voltados às especificidades dos agricultores familiares da
comunidade, com os seguintes temas abordados: apicultura, associativismo e cooperativismo,
fabricação de caixas de abelhas, gestão e comercialização de produção, comunicação e
artesanato.

Houve outros cursos ministrados para os associados por meio do Programa Amazônia
sem Fogo, desenvolvido em parceria com a embaixada Italiana e MMA (Ministério do Meio
Ambiente), abordando formações nas seguintes temáticas: cerca elétrica, recuperação de áreas
degradadas, adubo orgânico e defensivo natural.

No ano de 2011 foi realizado em diversas comunidades um diagnóstico da produção


de açaí pelo ICMBIO, no sentido de saber qual o índice de produção nas comunidades às
margens da BR-163. O índice de produção de fruto de açaí e palmito foi elevado, despertando
assim curiosidade em relação às demais frutas existentes na região como a acerola, murici,
maracujá, cupuaçu e buriti.

Logo em seguida ao levantamento, emerge uma fábrica de palmito denominada


Agroindustrial K30, trazendo prejuízos para os agricultores familiares, pois a mesma não
tinha projeto de manejo e vinha buscando se firmar na região, comprando os palmitos a preço
bem barato e destruindo os açaís nativos.

Os resultados foram que os agricultores ficaram sem opção de venda e perderam a


soberania alimentar ao extraírem apenas o palmito e deixando sem vida os baixões (áreas
encharcadas ou que acumulam água em determinada épocas do ano), pois, na maioria das
vezes, secavam os igarapés e demais fontes de água (ICMBio - Grupo de trabalho sobre
manejo do açaí dos conselhos consultivos das Flonas de Itaituba I e Trairão, 2011).
Outro levantamento realizado pela associação de moradores com 20 famílias
demonstrou o potencial existente de produção de açaí, (Euterpe oleracea), buriti (Mauritia
flexuosa), acerola (Malpighia emarginata), maracujá (Passiflora edulis) e murici (Byrsonima
crassifólia) advindo da agricultura familiar, dado que na maioria das vezes essas produções
são jogadas fora ou utilizados para alimentação dos animais domésticos de pequeno, médio e
grande porte.
Nos dados coletados no levantamento foi identificado que alguns agricultores
desenvolvem suas atividades agrícolas no período diurno nos lotes e à noite se deslocam para
suas residências localizadas na comunidade Campo Verde Km 30. Outras famílias que moram
17

na comunidade e tem lotes nas vicinais próximas, ficam em Campo Verde nos finais de
semana.
Outros agricultores familiares moram nas vicinais e deslocam para Campo Verde
apenas nos fins de semanas para venderem na feira existente na comunidade aos domingos,
porém seus filhos estudam na comunidade de Campo Verde e se deslocam diariamente por
meio do transporte escolar municipal.
Determinados agricultores familiares estão utilizando os recursos florestais não
madeireiros, juntamente com a produção familiar de diversas frutas como: cupuaçu, buriti,
açaí, murici, cajá e maracujá. Porém, vários elementos tem dificultado o bom andamento do
trabalho, e em destaque temos: a falta de local propício para armazenamento e conservação da
matéria prima, como freezers e câmaras frias, além da falta de subsídios de fortalecimento
para escoamento da produção, linhas de financiamentos com incentivo a produção de
frutíferas, estradas vicinais de difícil acesso.
Estas dificuldades têm, gerado um desânimo e até mesmo a desistência dos seus lotes.
Com toda esta problemática, é perceptível a grande perda de produção nos respectivos lotes e
chácaras, o abandono de propriedades, a concentração de terra pela espoliação e especulação
imobiliária.
A fábrica está bem localizada no bairro Centro da comunidade de Campo Verde km
30 no município de Itaituba, estado do Pará, e foi idealizada e iniciada na gestão do ex-
presidente da Associação, Jurandir Alves da Silva.
A ideia se transformou em projeto no ano de 2011, quando saiu um edital do Fundo
Dema. Este é um fundo fiduciário criado em 2003, que apoia projetos coletivos dos “Povos da
floresta-povos indígenas, quilombolas, comunidades extrativistas, ribeirinhas e da agricultura
familiar” que visem a valorização socioambiental dessas populações, assim como a
preservação do Bioma Amazônico, prezando pelo respeito à sociobiodiversidade, pela
garantia plena de Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais Ambientais DHESCA´s,
a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, pela equidade de gênero, pela valorização e
respeito à auto- identidade e a diversidade e a pluralidade cultural e religiosa (FUNDO
DEMA, 2018).
A Associação de Moradores nos últimos anos vem buscando inserir todos os
associados no projeto “Bem viver com a natureza”, no sentido de fortalecimento da produção
de polpas de frutas na comunidade, através de politicas públicas de melhoria da agricultura
familiar, contribuindo na geração de renda local.
Atualmente a associação possui 89 sócios ativos, sendo que houve desistências de
aproximadamente 15 nos últimos anos. Estas possíveis desistências surgiram a partir das
instalações dos grandes empreendimentos, a expansão da pecuária advinda da compra de
terras e se tornando fazendas.
Outra peculiaridade bem visível é a nova gestão da própria associação, que tem
dificuldades de desenvolver suas atividades.
Com a desistência dos sócios, a fábrica está enfraquecida, principalmente na
produção, afetando a vida financeira da mesma, e com isso ocasionou o atraso do processo de
certificação do selo de qualidade da produção, e a comercialização esta sendo apenas local.
Outro fator agravante é a água potável, pois no momento não há possibilidade de abertura de
um poço artesiano pela associação.
Assim, os agricultores não conseguem acessar a política do PNAE (Programa
Nacional de Alimentação Escolar). Compreende-se que os associados necessitam de renda e
fomento e para modificar esta realidade de êxodo rural, é essencial incentivar e fortalecer
também os jovens agricultores que ainda residem em seus lotes juntamente com seus pais,
considerando que a fábrica de polpas de frutas visa emprego e renda, e proporcionará também
a valorização da agrobiodiversidade e da produção orgânica.
A entidade compreende que há necessidade de fortalecer a produção dessas famílias
para não desperdiçarem seu trabalho e as frutas da estação.
Nesse sentido, foi priorizado implantar uma fábrica de manipulação artesanal de
polpas de frutas que atendam as condições dispostas no Manual de Boas Práticas de
Fabricação para a indústria de alimentos como informa a Sociedade Brasileira de Ciências e
Tecnologia de Alimentos (SBCTA).
A proposta da fábrica de polpas de frutas já atende a necessidade de algumas famílias
e tem elevado a viabilização econômica dessa comunidade, pois mesmo que ainda não esteja
totalmente legalizada, já está em funcionamento.
O fruto mais processado é o açaí, que tem tido mais aceitação no mercado local.
Alguns sócios buscaram a produção do açaí e tem disponibilizado por meio de doação e
compra pela associação para manter as despesas de energia e água da fábrica. Falta realizar
reajustes na estrutura da fábrica para nova inspeção e aprovação da ADEPARA.
A Associação tem buscado o selo de qualidade com os órgãos competentes para que
assim a produção possa ser comercializada não só na comunidade, mas também no município
e região e que seja inserido como complemento no Programa de Aquisição Alimentos (PAA)
e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para a merenda escolar local.
19

Ultimamente as polpas de frutas servida na merenda escolar da comunidade são


fornecidas através do PNAE do município, entretanto, as polpas de frutas consumidas na
alimentação escolar veem diretamente da cidade, compradas por um preço bem menor.
Em relação à certificação da produção via o selo de qualidade, falta a vistoria
fitossanitária que está sendo buscada junto à Agência de Defesa Agropecuária do Pará
(ADEPARA). No caso da fábrica local, a mesma ainda não tem a certificação de qualidade
concedida pela ADEPARA por tal motivo não pode ser acessado o PNAE.
Algumas limitações que surgiram ao longo do processo tem dificultado o bom
desempenho e funcionamento da fabrica, dentre elas, a falta de informações, o excesso de
burocracia e de documentação exigida, falta de água potável, pequeno espaço físico, além da
necessidade de reutilizar os resíduos.
O projeto “Bem Viver com a Natureza” encaminhado para o Fundo Dema teve o
objetivo de fortalecer a agricultura e produção familiar sustentável e agroecológica, visando
geração de trabalho e renda para a Comunidade Campo verde, km 30. O alto custo dos
materiais dificulta que cada agricultor compre a despolpadora e demais utensílios que são
utilizados para a obtenção das polpas de frutas e que tenham espaço proporcional ao requerido
para manipulação. Neste sentido, a proposta foi elaborar uma ação coletiva para que todos os
agricultores associados, preferencialmente, possam manipular e armazenar as polpas de frutas
adequadamente.
O projeto Bem Viver com a Natureza atende além das 20 famílias, também outras
pessoas da comunidade que não estão vinculadas à Associação, pois as mesmas possuem
produção e às vezes a perdem a produção pelo de não terem como beneficiar as polpas para o
próprio consumo familiar. (Figura 4)

Figura 4. Fábrica de polpas de frutas.


Fonte: Arquivo pessoal.

O problema de maior gravidade observado, em totalidade na fábrica, foi o grande


montante de matéria-orgânica desperdiçada ao longo do processo. A geração dos resíduos
inicia-se na etapa de seleção das frutas padronizadas, onde uma grande quantidade delas com
qualidade para o consumo é descartada em virtude de não atenderem às especificações
exigidas pelo processo, tanto no aspecto de maturação como de degradação.
Desse modo, são transportadas para locais que a reaproveitam como ração animal
(para as famílias que solicitam), como sementes ou são desperdiçados, jogando-as para
recolhimento do sistema de limpeza pública, sendo destinadas para aterros ou lixões (coleta
que é feita pela prefeitura de forma irregular).
Os resíduos da despolpadora como as sementes de açaí, têm sido distribuídos para as
famílias para plantio nas áreas degradadas nos lotes dos mesmos, para recuperar pequenas
áreas de deslizamento de terras, devido às erosões causadas pelas chuvas, dentro da
comunidade e nas margens dos pequenos igarapés que passam pelas proximidades.
Essa preocupação com o meio ambiente vem sendo discutida pelos sócios desde o
início do projeto, tornando-o o mais sustentável possível. Para isto são utilizadas
principalmente as sementes do açaí, sendo que foram plantadas mais de 2 mil em torno da
comunidade para a recuperação de nascentes de rios e igarapés e às margens dos mesmos,
contribuindo no reflorestamento de áreas que foram desmatadas.
Outro problema ambiental observado diz respeito ao descarte das águas da lavagem,
agregadas de matéria orgânica, resíduos insolúveis inorgânicos e cloro residual em elevadas
concentrações. Este efluente é jogado diretamente na fossa sem nenhum tratamento prévio.
21

1.2 JUSTIFICATIVA

A construção do projeto tem como base as observações já realizadas a partir da minha


participação na associação de moradores desde o início da fábrica de polpas de frutas,
ressaltando a necessidade de realizar o aproveitamento dos resíduos da fábrica como adubo
orgânico e disponibilizá-lo para os agricultores aproveitarem em seus plantios sem a
necessidade de uso de produtos ou adubos químicos, e dando mais visibilidade à produção
sustentável em suas propriedades.
Assim, os resíduos orgânicos da fábrica seriam tratados e disponibilizados, e
paralelamente se faria um trabalho de formação/capacitação para que as famílias de
agricultores familiares utilizassem os adubos orgânicos e as técnicas de compostagem em seus
lotes.
Quanto às poucas roças que ainda se tem nos lotes, percebe-se a falta de incentivo do
governo para esses agricultores familiares continuarem no campo, tornando-se cada vez mais
difícil obter um financiamento e assistência técnica adequada e de qualidade, pois os
agricultores estão cada vez mais pressionados pela expansão do território aos grandes
produtores de soja.

1.3 OBJETIVOS

O objetivo geral é propiciar o fortalecimento social organizativo por meio do


aproveitamento dos resíduos orgânicos da fábrica artesanal de polpas de frutas do Distrito de
Campo Verde, município de Itaituba, Pará.

Os objetivos específicos são:

 Analisar as condições socioeconômicas, técnicas e organizacionais para implantação


da proposta de aproveitamentos dos resíduos orgânicos da fábrica de polpas de frutas
por meio do processo de compostagem;
 Capacitar os moradores do Distrito de Campo Verde em técnicas de produção de
composto orgânico a partir dos resíduos da fábrica de polpas:
 Discutir a proposta de produção de composto orgânico como perspectiva
agroecológica.
2. METODOLOGIA
Para a elaboração do projeto de ação de reaproveitamento de resíduos orgânicos da
fábrica de polpas de frutas da associação de moradores de Campo Verde km 30. Dará se em 5
etapas, que serão em sequencia levando em consideração os objetivos e metas que podem
variar de acordo com a necessidade do projeto. Os procedimentos metodológicos serão
fundamentos no envolvimento das famílias e as atividades propostas.
Figura 5. Etapas para definição da proposta

Entrevistas
Diálogos com a com as
Visitas a fábrica
diretória e sócios famílias
envolvidas

Teste para escolha


Pesquisa do composto
bibliográfica orgânico

1ª ETAPA – Realizado inicialmente visitas à fábrica semi industrial de polpas de


frutas da comunidade Campo Verde KM 30. Para conhece e entender melhor como se dar o
funcionamento interno da mesma e conversar com as pessoas que trabalha na manipulação e
armazenamento da fábrica.
2ª ETAPA - Foram feitas conversas com a diretoria e os sócios da associação para
aprofunda o dialogo com a temática que foi demandada pelo agricultores familiares via
associação, coleta de documentos como atas de assembleias e reuniões que trataram o tema
do aproveitamento de resíduos da fábrica.
3ª ETAPA- Foram entrevistadas as famílias sobre as formas de deposição dos
resíduos, as formas de reaproveitamento das frutas fora do padrão de qualidade para o
processo e os resíduos gerados, além do interesse em combater os riscos causados ao meio
ambiente e a deposição das águas provenientes da lavagem das frutas.
23

4ª ETAPA – Pesquisa bibliográfica sobre as alternativas para o reaproveitamento dos


bagaços da extração de polpas e para as frutas fora do padrão de comercialização e
industrialização.
5ª ETAPA- Nesta etapa foram apontadas duas técnicas de composto orgânico:
Produção de composto orgânico com fermentação lenta (bokashi) e Produção de composto
orgânico de fermentação mais rápida EM, a partir da escolha das técnicas de compostagem,
foram realizados os testes juntamente com os sócios e direção da associação. O composto
orgânico mais evidenciado pelas famílias foi o composto orgânico de fermentação mais rápida
EM.

2.1 TESTES DE COMPOSTAGEM

De acordo com Kiehl (1998), no processo de compostagem, a atividade


microbiológica atinge alta intensidade, provocando a elevação da temperatura no interior das
leiras, chegando a valores de até 65ºC, ou mesmo superiores, em decorrência da geração de
calor pelo metabolismo microbiológico de oxidação da matéria orgânica que é exotérmico.
Conforme a Resolução Conama n°001/86 (Brasil, 1986), em seu Artigo 1°, é
considerado como impacto ambiental:
Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio
ambiente, causado por qualquer forma de matéria ou energia resultante das
atividades humanas que, direto ou indiretamente afetam:
I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
II – as atividades sociais e econômicas;
III – a biota;
IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
V – a qualidade dos recursos ambientais.

Já o processo de compostagem se refere à degradação da matéria orgânica, e segundo


Fernandes:

A compostagem ocorre naturalmente no ambiente sendo referido como a degradação


de matéria orgânica. O termo compostagem diz respeito a esta decomposição, porém
está associada com a manipulação do material pelo homem, que através da
observação do que acontecia na natureza desenvolveu técnicas para acelerar a
decomposição e produzir compostos orgânicos que atendessem rapidamente as suas
necessidades. O termo composto orgânico pode ser aplicado ao produto compostado,
estabilizado e higienizado, que é benéfico para a produção vegetal (Fernandes ).

Na maioria das vezes os resíduos ficam misturados no local. Por exemplo, cascas,
sementes e bagaços no mesmo recipiente para serem descartados ou local, devido não haver
uma forma ainda de reaproveitamento desses materiais residuais que poderiam ser
transformados em composto orgânicos.
Como a compostagem é processo anaeróbico, na prática, a umidade ideal deve ser
manejada com base na capacidade de aeração da massa de compostagem, ou seja, deve-se
observar para características físicas como: porosidade e estrutura do material, sempre
objetivando satisfazer a demanda microbiológica por oxigênio (PEREIRA NETO, 1998).
Na compostagem é necessário que estejam em sintonia a umidade, a água e a
temperatura para que a atividade microbiológica seja eficaz, sem perda da função de cada
elemento.
Foram testados pelos sócios dois técnicas de compostagem orgânica para a produção
de adubo: produção de composto com fermentação rápida e a com micro-organismo eficiente.

2.1.1 Produção de composto orgânico com fermentação lenta (bokashi)

No primeiro teste realizado com a técnica de produção de adubo orgânico bokashi,


utiliza-se a matéria prima, que podem ser: folhas de plantas leguminosas (feijão, restos de
colheita de arroz e milho), restos/sobras de comidas, esterco de diferentes animais (gado e
galinha), serragem de madeira, casca de arroz carbonizada ou moída, resto de arvores
apodrecidas entre outros materiais de fácil decomposição.
No processo de elaboração do adubo, seguem-se os seguintes passos: 1º passos: Fazer
um monte aplicando camadas intercaladas de cada material, não se esquecendo de umedecer
conforme necessário; adicionar terra virgem da mata ou micro-organismo eficiente (EM);
colocar uma fina camada de cada produto a cada aplicação.
O tamanho adequado é quando o monte estiver com mais ou menos 1 metro de altura
e 2 metros de largura, com um comprimento que dependerá da quantidade de material
disponível.
Deve-se misturar por 3 a 4 vezes durante o ciclo de produção, ou seja, no inicio da
fermentação (no dia que inicia a fermentação) no sétimo dia do ciclo, no décimo quarto dia
depois de iniciada o processo, de fermentação e uma última vez, no final do processo que
pode durar de 25 a 45 dias que pode prolongar dependendo do material utilizado. Deve-se
realizar a aplicação de EM ou terra virgem diariamente em cima do monte e aplicar por todas
as camadas nos dias de mistura.

2.1.2 Produção de composto orgânico de fermentação mais rápida


25

A diferença para a primeira técnica de compostagem é que no composto orgânico com


fermentação lenta usa-se terra virgem (nome dado pelos agricultores à terra que ainda não foi
utilizado em nenhuma atividade) e materiais de difícil decomposição. Nesta segunda técnica
de compostagem utiliza materiais menos consistentes, fosfato de calcário e terra preta.
O segundo teste processo de compostagem com micro-organismo eficiente (EM),
utilizou-se como matéria prima: as folhas de plantas leguminosas, folhas de couve, sementes
de açaí quebradas ao meio, bagaço da polpa de açaí, sementes e casca de cupuaçu, palha de
arroz com esterco de aves, esterco bovino, restos de comidas, farelo de madeira, terra preta
(material obtido a partir da queima de resto de madeiras) fosfato de calcário natural e os
micro-organismo eficientes enriquecedores.
Foi feito um monte com camadas intercaladas de cada material, não se esquecendo de
umedecer cada camada levemente.
Deve-se misturar de 3 a 4 vezes no ciclo de produção, após inicio do processo da
fermentação, misturar a cada dois dias até o fim do processo que dura em média de 20 a 25
dias que pode variar e prolongar-se, dependendo do material utilizado.
A umidade ideal que deve estar a cama (nome dado ao monte de resíduos para a
produção do adubo) é de mais ou menos 50%, para verificar a umidade ideal, se pega um
pouco do produto e se aperta firme com as mãos. Se fizer um bolinho que facilmente se
desmancha, está com a umidade boa, se não fizer o bolinho, significa que falta umidade, e
caso ocorra de escorrer água entre os dedos, está muito úmido.
Figura 6. Teste da compostagem orgânica com EM.
Fonte: Arquivo pessoal.

Os micro-organismos são minúsculos seres vivos. Apesar de extremamente pequenos


e simples, exercem função primordial, desde a captação de energia solar, até suas
transformações na Terra. São dois grandes grupos: os micro-organismos de regeneração, e os
micro-organismos degenerativos.
Os micro-organismos regenerativos produzem substâncias orgânicas úteis às plantas, e
via metabolismo secundário podem produzir hormônios e vitaminas, e melhoram as
propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Estão nesse grupo os microrganismos
eficientes que constituem o EM.
Estes micro-organismos degenerativos produzem no seu metabolismo primário
substâncias como amônia, sulfeto de hidrogênio, com ação prejudicial à planta e endurecem o
solo. Consequentemente impedem o crescimento das plantas e favorecem infestações de
pragas e doenças.
O EM é formado pela comunidade de micro-organismos encontrados naturalmente em
solos férteis e em plantas, que coexistem quando em meio líquido.
Quatro grupos de micro-organismos compõem o EM:
Leveduras (Sacharomyces): utilizam substâncias liberadas pelas raízes das plantas, sintetizam
vitaminas e ativam outros microrganismos eficazes do solo. As substâncias bioativas, tais
27

como hormônios e enzimas produzidas pelas leveduras, provocam atividade celular até nas
raízes.
Actinomicetos: controlam fungos e bactérias patogênicas e também aumentam a resistência
das plantas.
Bactérias produtoras de ácido lático (Lactobacillus e Pediococcus): produzem ácido lático que
controla alguns micro-organismos nocivos como o Fusarium. Pela fermentação da matéria
orgânica não curtida liberam nutrientes às plantas.
Bactérias fotossintéticas: utilizam a energia solar em forma de luz e calor. Também utilizam
substâncias excretadas pelas raízes das plantas na síntese de vitaminas e nutrientes,
aminoácidos, ácidos nucleicos, substâncias bioativas e açúcares, que favorecem o crescimento
das plantas. Aumentam as populações de outros micro-organismos eficazes, como os
fixadores de nitrogênio, os actinomicetos e os fungos micorrízicos.
Para captura dos Micro-organismos Eficientes, precisa- se cozinha aproximadamente
700 gramas de arroz sem sal; colocar o arroz cozido em bandeja de plástico ou de madeira ou
ainda em calhas de bambu. Cobrir com tela fina visando proteger; coloque a bandeja com
arroz e a tela em mata virgem (na borda da mata) para capturar os micro-organismos.
Deve-se ter o cuidado no local onde vai deixar a bandeja, afastar a matéria orgânica
(serrapilheira). Após colocar a bandeja, a matéria orgânica que foi afastada deve cobrir a
bandeja sobre a tela. Assim, após 10 a 15 dias os micro-organismos já estarão capturados e
criados. Nas partes do arroz que ficarem com as colorações rosada, azulada, amarelada e
alaranjada estarão os micro-organismos eficientes (regeneradores). As partes com coloração
cinza, marrom e preto devem ser descartadas (deixe na própria mata).
Para ativar os Microrganismos Eficientes deve-se distribuir arroz colorido em mais ou
menos 5 garrafas de plástico de 2 litros; colocar 200 ml de melado em cada garrafa, completar
as garrafas com água limpa (sem cloro) ou água de arroz; fechar as garrafas e deixar a sombra
por 10 a 20 dias; liberar o gás (abrir a tampa) armazenado nas garrafas, de 2 em 2 dias;
colocar a tampa e apertar a garrafa pelos lados, retirando o ar que ficou dentro da garrafa (a
fermentação deve ser anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio); apertar bem a tampa e
neste momento não há mais produção de gás dentro da garrafa.( Caderno dos Micro-
organismos eficientes 2011, p.11).
O EM tem coloração alaranjada, mas pode ser mais clara ou mais escura, o que
depende da matéria-prima, não implicando, porém, na qualidade do produto. O cheiro é doce
agradável, e no caso de apresentar mau cheiro, o EM não deve ser usado.
Este produto pode ser armazenado por até 1 ano (BONFIM et al., 2011, p.15). O EM
pode ser utilizado na compostagem de resíduos de diversas origens.

3. O PLANO DE AÇÃO

A fábrica de processamento de polpas produz 28.500kg de resíduos por ano, conforme


Quadro 01. Os resíduos gerados são sementes e bagaços de açaí, acerola e cupuaçu.
Quadro 01. Tipos e quantidade de resíduos por ano
Frutos Safra Tipo de resíduo Mensal Anual

Açaí Dezembro/ Abril Sementes e bagaço 60 sacos de 50 kg 12.000 kg

Acerola Agosto/Novembro Sementes e bagaço 30 sacos de 50 kg 4.500 kg

Cupuaçu Dezembro/ Abril Sementes e Casca 60 sacos de 50 kg 12.000 kg

Total 28.500 kg

3.1 Público beneficiário

O projeto atenderá agricultores familiares envolvidos na produção artesanal de polpas


de frutas relacionadas à fábrica, totalizando cerca de 40 pessoas entre jovens e adultos
mulheres e homens.
As famílias estão localizadas em lotes e chácaras na comunidade e em comunidades
nas proximidades como: São Raimundo (vicinal do km 30), Nossa Senhora de Fátima (vicinal
do km 35), São Pedro km 25 e Campo verde KM 30.

3.2 Metas

 Realizar o teste de duas técnicas de compostagem


 Habilitar 20 famílias em técnicas de aproveitamento de resíduos;
 Habilitar 40 pessoas em gestão de negócio;
 Realizar duas reuniões para incentivar a produção de composto orgânico a partir dos
resíduos do processamento das polpas de frutas.
29

3.3 Infraestrutura necessária

A dimensão em termos financeiros e de trabalho para construção do barracão para o


reaproveitamento de resíduos está exposta na Tabela 1.

Tabela 1. Orçamento
Itens de Despesas Unidades Quantidade Valor Unitário
Valor Total

Mão de Obra da reforma Diárias 10 120,00 1.200,00

Tijolos Unidade 1.000 650,00 650,00


Cimento Unidade 20 30,00 600,00
Telhas Unidade 64 14,50 928,00
Areia Metro 05 60,00 300,00
Tela mosquiteiro Metro 60 4,00 240,00
Madeira Metro 08 90,31 722,50
Madeira Metro 10 15,00 150,00
Madeira Unidade 40 7,84 313,60
Prego Unidade 04 8,00 32,00
Prego Unidade 02 12,00 24,00
Caixa p/ água Unidade 01 400,00 400,00
Triturador forrageiro Unidade 01 700,00 700,00
Enxada Unidade 02 25,00 50,00
Pá Unidade 02 23,00 46,00
Carro de mão Unidade 02 115,00 230,00
Instalação Hidráulica Serviço 500,00 500,00
TOTAL 7.086,1

O barracão para processamento e armazenamento de resíduos tem a dimensão 6x8


metros, medindo 4 metros de altura, com cobertura em telhas, com paredes de alvenaria, com
60 cm de altura com tela em toda sua extensão, com piso grosso (sem cerâmica), com
instalação elétrica para o funcionamento do triturador e demais necessidades. As
especificações da construção são as seguintes:
Paredes: As paredes do local precisarão ser adequadas, com telas mosquiteiro para evitar que
roedores possam adentrar no espaço.

Iluminação: A iluminação artificial já está projetada dentro das normas da ABNT. As


lâmpadas devem ser posicionadas sobre linhas de produção ou transporte de insumos ou
produtos e devem estar seguras contra explosão e quedas acidentais.

Pisos: Será instalado um piso de cimento grosso, resistente ao tráfego e à corrosão.

Instalações elétricas: o local já dispõe de energia. As conexões elétricas devem ser isoladas
minimizando riscos e facilitando a limpeza.

Os cabos com fios elétricos que não estiverem contidos em tubos vedados devem ser
protegidos com placas que permitam a ventilação e limpeza. As normas estabelecidas pela
ABNT devem ser seguidas, observando-se a capacidade de carga e outros detalhes de
segurança e distribuição. As instalações devem ser as mais higiênicas possíveis e protegidas
da penetração de água e umidade.

Instalações hidráulicas: Já está instalada no local uma caixa d’água de 1000 litros, que é
abastecida por um poço artesiano da comunidade. Para viabilizar a higiene, mas ainda se
pensa de uma alternativa de reaproveitamento da água residuais das lavagens.

3.4 Organização social

Esta proposta se preocupa em estar referenciada nos princípios do


Etnodesenvolvimento e economia solidária.
Para o antropólogo Guillermo Bonfil Batalla (1982) o etnodesenvolvimento requer que
as comunidades sejam efetivamente gestoras de seu próprio desenvolvimento, que busquem
formar seus quadros técnicos, antropólogos, engenheiros, professores, etc., de modo a
conformar unidades político-administrativas que lhes permitam exercer autoridade sobre seus
territórios e os recursos naturais neles existentes, de serem autônomos quanto ao seu
desenvolvimento étnico e de terem a capacidade de impulsioná-lo.
Neste sentido, quando uma comunidade busca subsídios da autogestão para suas ações
coletivas na perspectiva de fortalecimento da organização social, econômico e cultural, sendo
protagonista de sua própria história.
Na compreensão de Stavenhagen (1985) é destacado o “diferencial sociocultural” de
uma sociedade como sendo sua etnicidade. De forma integral, Stavenhagen entende que: o
etnodesenvolvimento significa que uma etnia, autóctone, tribal ou outra detém o controle
31

sobre suas próprias terras, seus recursos, sua organização social e sua cultura, e é livre para
negociar com o Estado o estabelecimento de relações segundo interesses ”(1985, p.57).
Assim, deve-se compreender que é necessário existir diálogos permanentes dos
saberes entre os povos e comunidades tradicionais para assim decidirem a
"despaternalização", e cada vez mais buscar autonomia para os coletivos das organizações
sociais existentes dentro das comunidades tradicionais.
Assim como no Etnodesenvolvimento, a economia solidaria tem seus princípios
parecidos, porém trata-se de uma alternativa inovadora na geração de trabalho e na inclusão
social, na forma de uma corrente que integra quem produz, quem vende, quem troca e quem
compra.
A economia solidária está baseada nos princípios da autogestão, democracia,
solidariedade, cooperação, respeito a natureza, comercio justo e consumo solidário. A
economia solidária possui uma finalidade multidimensional e envolve a dimensão social,
econômica, politica, ecológica e cultural.
A economia solidária reafirma, assim, a emergência de atores sociais, ou seja, a
emancipação de trabalhadores como sujeitos históricos. Existe uma relação de reciprocidade
entre as entidades parceiras, e com essa finalidade na implementação desse projeto de ação
importante para essa comunidade, faz se necessário reafirma essa relação para o
desenvolvimento do projeto haja vista que algumas entidades parceiras já realizam o
acompanhamento do projeto de ação desde as primeiras reuniões na comunidade.

O movimento do atingidos por barragens (MAB), região do Tapajós, Itaituba tem uma
relação muito reciproca com a associação de moradores no qual se disponibiliza em realizar
palestra, reunião e mobilização para contribuir como o projeto. A comissão pastoral da terra
(CPT) se propõe a contribuir na realização de convites, mobilização e acompanhamento do
projeto, como também juntamente com o comitê gestor do Fundo Dema da BR163, indicou a
associação entre as 10 associações que podem concorrer os editais de extensões de projeto já
atendidos pelo Fundo Dema.

A associação de moradores de Campo Verde km 30, a entidade juntamente com seus


sócios vem buscando desenvolver o fortalecimento associativismo dos agricultores familiares
meio do associativismo. Durante as pesquisas nos tempo comunidade - TC e, a partir do
projeto de ação do curso de Etnodesenvolvimento cria se essa parceria com o intuito de
proporcionar alternativas de produção para as famílias envolvidas no Projeto de ação:
Reaproveitamento de resíduos orgânicos da fábrica de polpas de frutas da associação de
moradores de Campo Verde km 30. Neste sentido a associação se coloca a disposição como
proponente do projeto.

Para a execução do projeto, considera-se o sistema de mutirão como central para a


proposta. Este sistema vem desde o início do ano de (2011) quando foi concorrido ao edital do
Fundo Dema porque naquele momento a associação ainda não tinha apresentado projeto para
nenhum edital.

Nesta época a diretoria não tinha técnico para auxiliar na elaboração e então surgiu a
ideia de convidar algumas pessoas como professores, presidente da associação, sócios,
secretaria e demais e começar a realizar um rascunho do que seria o projeto. Após algumas
tentativas, a comissão percebeu que deveria buscar um profissional para corrigir o projeto e
assim poder concorrer ao edital com as demais associações.
O projeto “Bem viver com a natureza” foi elaborado, enviado e para a satisfação de
todos foi aprovado. Mas veria o maior desafio que foi a reforma do espaço que foi cedido pela
Associação Radio Comunitária Campo Verde FM (Figura 7).

Novamente surge a ideia do mutirão, porque não havia recurso para ampliação e
reforma do local. Essa modalidade de trabalho na comunidade vem desde a sua fundação, na
década de 70, já foram realizados trabalhos em forma de mutirão nas igrejas, no ginásio
comunitário, na escola, nas casas de moradores (quando perdem a sua moradia por algum
desastre).

Figura 7: Mutirão de reforma do espaço para implantação da fábrica.


33

Fonte: Arquivo pessoal.

Desde forma já dialogada em reuniões com a diretoria da associação e associados,


pretende-se juntamente com as entidades parceiras, possam construir o barracão para a
manipulação do adubo orgânico no mesmo terreno da fabrica de polpas de frutas.

Porém, existe alternativa caso as pessoas não estejam acordadas para a realização em
mutirão, o Comité Gestor do Fundo Dema BR 163, indicou 10 associações como prioritárias
para concorrer a outros editais do Fundo Dema para extensões de projeto que já estão em
andamento, e associação de moradores está dentro desse indicativo, pois o projeto Bem Viver
com a natureza está com total legalidade de prestação de contas e também na lista de
indicação.

3.4.1 Estratégia para participação dos sócios

Em diálogo com algumas famílias apareceu à ideia da realização de uma experiência


individual com o composto orgânico por família. A ideia dar-se a da seguinte forma: Serão
sorteadas 03 famílias para elaborar a composto orgânico nas propriedades das famílias A, na
sequência família B, ultimo família C.

Após a realização da experiência com ambas as famílias, convidá-la para a


socialização os demais interessados na produção de composto orgânico. De forma coletiva
tornam assim as famílias protagonistas da própria experiência.
4. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO

Atividades Mês/Ano 2017/ 2018


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
1- Experimentação-teste para definição X X X X
da técnica de compostagem;
2– Equipar o espaço para elaboração do X X X X X X
composto orgânico,
3 – Habilitar 20 famílias envolvidas em X
técnicas de compostagem para
aproveitamento de resíduos da fábrica e
dos lotes;
4- Habilitar 40 pessoas em gestão de X X
negócio
5 - Incentivar a produção e uso de X X X X X X X
composto orgânico a partir dos resíduos
do processamento das polpas de frutas.
6- Apoiar na viabilização da X X X X X X
certificação para comercialização da
polpa de frutas e do sistema de água;
7 – Viabilizar mercados para a inserção X X X X
do adubo orgânico.
8 – Monitorar, avaliar e divulgar a X X X X X X X X X X X X
execução do projeto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante a realização deste projeto de ação, sobre o reaproveitamento de resíduos


orgânicos proporcionou um estudo bibliográfico profundo a respeito da compostagem
orgânica que na qual era desconhecido para mim. Porém, possibilitou a interação acadêmico-
científico com os conhecimentos tradicionais de uma comunidade na busca de solução para
uma problemática existente na Associação de moradores de Campo Verde km 30, município
de Itaituba, Pará, resíduos orgânicos que não são coletados pelo serviço de coleta municipal
por ser considerado lixo industrial.
Esta pesquisa teve com objetivo principal buscar solução dentro da realidade
vivenciada pelos agricultores familiares da comunidade acima referida. O curso de
Licenciatura e Bacharelado em Etnodesenvolvimento possibilita essa modalidade de interação
devido ser construído para atender as demandas dos povos e comunidades tradicionais,
tornando essa aproximação entre universidade e comunidade uma realidade ainda pouca
adotada por outras universidades.
35

Algumas limitações foram encontradas ao longo do percurso: poucos relatos escritos


sobre a comunidade de pesquisa e dificuldades de acesso a documentos existentes.
Mas foi encontrada muita reciprocidade entre os agricultores familiares, sócios, que se
dispuseram a ser protagonistas desse projeto de ação.

REFERÊNCIAS

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BONFIM, et al. Caderno dos micro-organismos eficientes (EM). 2ª ed.. Departamento de
Fitotecnia, Conselho Nacional de Desenvolvimento CNPQ. Universidade Federal de Viçosa.
BENATTI, José H. A soja na Amazônia e o ordenamento territorial. In: SEMINÁRIO: A
GEOPOLÍTICA DA SOJA NA AMAZÔNIA. Anais... Belém, Museu Paraense Emílio
Goeldi, 18 e 19 de dezembro de 2003.
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução no 1 de 23 de janeiro de 1986.
Dispõe sobre critérios básicas e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental.
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<http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html>.
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FUNDO DEMA. Quem somos ? Disponível em < http:
http://www.fundodema.org.br/conteudos/quem-somos/1422>. Acesso em 26 de janeiro de
2018.
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sustentável. 2ª ed. Belém: Associação de Universidades Amazônicas, 2007. FERNANDES,
F. Manual prático para compostagem de biossólidos. Londrina, Editora UEL, 1996.
HARVEY. D. O novo imperialismo. São Paulo. Edições Loyola, 2004.
KIEHL, E. J. Manual de Compostagem: maturação e qualidade do composto. Piracicaba,:
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PARÁ. Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente. II. Programa Paraense
de Tecnologias Apropriadas. Compostagem: produção de adubo a partir de resíduos
orgânicos. Belém: il. --(Série Fruticultura; n. 2) 1. Fruticultura. 2. Compostos Orgânicos -
Compostagem. 3. Resíduos Orgânicos. 2003.
PEREIRA NETO, J. T., 1996: Manual de Compostagem. Belo Horizonte – UNICEF – 56p.
ICMBIO. Diagnóstico participativo sobre o uso do açaí em comunidades do entorno das
Florestas Nacionais de Itaituba I, II e Trairão. Itaituba: ICMBIO, 2011. Relatório.
STAVENHAGEM, Rodolfo. 1985. Etnodesenvolvimento: Uma dimensão ignorada no
pensamento desenvolvimentista. Anuário Antropológico 84, Rio de Janeiro: Tempo
Brasileiro p.11-44.