You are on page 1of 32

Avaliação de

Responsabilidades
em Fundos de
Pensões
LOURDES AFONSO
2013

1 Fundos de Pensões
Teoria do Ciclo de Vida

 A poupança para a reforma decorre do desejo individual de


manter um padrão estável de consumo ao longo do ciclo de
vida;

 Os indivíduos abdicam de uma parcela de consumo durante a


vida activa para poder estabilizar o padrão de consumo na
velhice, quando em geral ocorre uma queda nos rendimentos do
trabalho;

2 Fundos de Pensões
Teoria do Ciclo de Vida

 Pelo conceito de ciclo de vida económica a vida das pessoas é


marcada por três fases. Em termos de orçamento, duas
dependentes (Jovens e Velhice) e outra em que apresenta
superavit (Activo).
 O excesso produzido pela população activa pode ser acumulado
para consumo futuro ou cedido às coortes dependentes.
$
Activo

Jovens Velhice

Consumo

Nascimento Morte
3 Fundos de Pensões
Sistema de Repartição

 São os activos que financiam as pensões dos reformados;


 Não há financiamento antecipado das pensões;
 Funciona bem apenas quando o racio Activos/Reformados é
elevado;
 Pressupõe solidariedade entre gerações, i.e., os actuais activos
contribuem para os actuais pensionistas na expectativa que a
geração seguinte contribua para a sua reforma;
 Esquema de fácil implementação;
 Sistema socialmente discutível;
 Economicamente ultrapassado;
 Financeiramente perigoso.

4 Fundos de Pensões
Sistema de Capitalização

 Financiamento antecipado dos benefícios concedidos pela


Segurança Social;
 Quem contribui para este sistema está a financiar a sua própria
reforma;
 Esquema de implementação mais complexo;
 Socialmente mais justo;
 Sistema de poupança flexível;
 Possibilita uma redução de custos;
 Estimula a poupança;
 Maior segurança quanto aos beneficios.

5 Fundos de Pensões
Problemas:

Sistema de Repartição

Problema da última geração

Sistema de Capitalização

Problema da primeira geração de reformados

6 Fundos de Pensões
Problemas:

Sistema de Repartição

Problema da última geração

Sistema de Capitalização

Problema da primeira geração de reformados

7 Fundos de Pensões
Teoria dos três pilares

Protecção Social

Indivíduo
Empresa
Estado

8 Fundos de Pensões
Teoria dos três pilares

 Na maioria dos países a protecção social está baseada em 3


pilares:

 1º Pilar: é obrigatório, normalmente pay-as-you-go, abrange os


regimes legais ou públicos de segurança social, baseia-se no
princípio da solidariedade.
 2º Pilar: é complementar, de iniciativa privada, normalmente
baseado num Fundo de Pensões, abrange os regimes de
natureza profissional, adoptados por iniciativa de empresas ou
grupos sócio-profissionais específicos (Ex: Bancários,…).
 3º Pilar: é facultativo, baseado nas poupanças individuais,
constituído pelos planos individuais de reforma, seguros de vida
ou PPR.

9 Fundos de Pensões
Conceitos

 Planos de pensões - programas que definem as


condições em que se constitui o direito ao
recebimento de uma pensão a título de pré - reforma,
reforma antecipada, reforma por velhice, reforma por
invalidez ou ainda em caso de sobrevivência

 Fundos de pensões - Patrimónios exclusivamente


afectos à realização de um ou mais planos de pensões.
Funcionam como veículos de financiamento do Plano
de Pensões.

10 Fundos de Pensões
Conceitos

 Associados

 Participantes

 Contribuintes

 Beneficiários
 Aderentes

 Entidade gestora

 Depositário

 Fundo de Pensões Fechado

 Fundo de Pensões Aberto

11 Fundos de Pensões
Definição dos benefícios

 Reforma por Velhice;

 Pré-reforma;

 Reforma Antecipada;

 Reforma por Invalidez;

 Reforma por Sobrevivência;

 Reforma por Direitos Adquiridos (vesting) (Portabilidade).

12 Fundos de Pensões
Classificação de Planos de
Pensões
 Quanto ao Beneficio

 Planos de Benefício Definido


 Os benefícios encontram-se previamente definidos (indexados ou não aos salários);

 As contribuições são calculadas por forma a garantir o pagamento daqueles benefícios.

 Planos de Contribuição Definida

 As contribuições são previamente definidas;

 Os benefícios são resultados das contribuições entregues e dos respectivos rendimentos


acumulados.

 Planos Mistos

 Estão conjugadas as características dos planos de benefício definido e de contribuição


definida.

13 Fundos de Pensões
Classificação de Planos de
Pensões
 Quanto à forma de financiamento

 Planos contributivos - quando existem contribuições dos


participantes para o Plano.

 Planos não contributivos - quando o Plano é financiado


exclusivamente pelo associado.

 Relativamente à Segurança Social

14 Fundos de Pensões
Objectivos de uma avaliação
actuarial
 Obter esquema de custos a médio e longo prazo,

 Determinar as contribuições de cada ano,

 Avaliação da empresa,

 Preparar relatórios para os promotores dos planos,

 Definir níveis de financiamento,

 Ajustar pressupostos, redefinir contribuições.

15 Fundos de Pensões
Parâmetros a considerar

 Caracteristicas da população
 Número de participantes e beneficiários;
 Peso relativo dos homens e das mulheres;
 Distribuição etária;
 Distribuição por anos de serviço;
 Distribuição por idade de entrada no plano;
 Nível e distribuição dos salários.

Ao efectuar-se um estudo actuarial supõe-se que a população


analisada verifica determinadas características, tecnicamente
denominados pressupostos ou hipóteses.

16 Fundos de Pensões
Pressupostos actuariais e
financeiros

 Hipóteses de Decremento (Tabelas actuariais),

 Taxa de crescimento salarial,

 Taxa de crescimento das pensões,

 Taxa de rendimento do fundo ,

 Taxa técnica actuarial (Taxa de Actualização das Pensões).

17 Fundos de Pensões
Pré-requesitos

 Noções de Cálculo Financeiro


 Juro
 Capitalização
 Factor de Actualização

 Noções de Cálculo Actuarial


 Tábua de mortalizade
 Funções biométricas
 Rendas Vitalícias

18 Fundos de Pensões
Vários Decrementos

 Uma taxa de decremento consiste na proporção de


participantes que deixam um determinado estado devido a uma
determinada causa, considerando que não estão em causa
quaisquer outros decrementos.

 Designe-se por q´(k) a taxa de decremento de causa k.

 Sendo as mais utilizadas as taxas:


 Morte - q´(m) [“mortality”];
 Invalidez - q´(d) [“disability”];
 Saída antecipada do grupo - q´(w) [“withdrawal”];
 Reforma - q´(r) [“retirement”].

19 Fundos de Pensões
Vários Decrementos

Taxas de Decremento

Probabilidades de Decremento

Função de Sobrevivência
Composta

20 Fundos de Pensões
Função de Sobrevivência Composta

 A função de sobrevivência composta dá a probabilidade de um


participante activo do plano sobreviver no serviço activo
durante um determinado período, considerando todas as taxas
de decremento às quais está exposto.

21 Fundos de Pensões
Avaliação actuarial de responsabilidades
e contribuições

 Cálculo do valor actuarial dos beneficios futuros previstos no


plano

 Plano Benefício Definido: determinação de uma estimativa dos


custos das responsabilidades relacionadas com o plano num
determinado momento

 Plano Contribuição Definida: consiste na estimativa do


beneficio futuro, que depende de forma determinante da
contribuição que é pretendido fazer

22 Fundos de Pensões
Métodos de financiamento

 O financiamento de um plano de pensões de benefício definido é


feito por forma a garantir que o valor actual do beneficio à idade
em que vai ser utilizado esteja fundeado.

 A escolha de um ou outro método de financiamento não afecta o


custo final inerente a um determinado plano. Só implica uma
diferente distribuição anual dos custos ao longo do tempo em que
se vai formando o património do fundo.

 Os métodos com contribuições mais elevadas nos primeiros anos


levam a que o fundo cresça mais rapidamente, produzindo
rendimentos financeiros que, em última instância, provocam uma
diminuição do custo final do plano.

23 Fundos de Pensões
Classes de Financiamento

Classe I Classe VI

 Classe IV
 Métodos:
 “ Entry Age”
 “ Aggregate”
 “Attained Age”
 “Projected Unit Credit”
 Produzem fundos e contribuições idênticas.

Directriz contabilística nº 19 aconselha o ProjectedUnit Credit

24 Fundos de Pensões
Benefícios na pop. Activa

 Velhice
 Pré-reforma
 Reforma antecipada
 Invalidez
 Sobrevivência Imediata
 Sobrevivência diferida

25 Fundos de Pensões
Coberturas complementares

 Invalidez: benefício pago em caso de invalidez do


participante. Geralmente, é calculado com base no
salário e tempo de serviço passado à data da invalidez.

 Sobrevivência Imediata: benefício pago ao cônjuge, em


caso de morte do participante enquanto activo.

 Sobrevivência diferida: benefício pago ao cônjuge, em


caso de morte do participante enquanto reformado.

26 Fundos de Pensões
VABT, CN, RA

 VABT- Valor Actual dos Benefícios Totais


 É o montante que deverá existir hoje para fazer face
às responsabilidades assumidas, em particular com os
actuais pensionistas (reformados ou inválidos,...).
 Contribuição Normal
 É o montante que faz face ao acréscimo anual da
responsabilidade
 Responsabilidade Actuarial
 É o montante que deve estistir no fundo para fazer
face às responsabilidades assumidas

27 Fundos de Pensões
Rácio de Financiamento

 Rácio de financiamento no momento t,

Ft  VAPP t Ft
Rt  
VARSP t VARSP t  VAPP t
 Se

Rt  1 o fundo está sobrefinanciado



Rt  1 o fundo está financiado a 100%
 R  1 o fundo está subfinanci ado
 t

28 Fundos de Pensões
Benefícios na pop. reformada

 Velhice (reformados por idade).

 Invalidez (reformados por invalidez).

 Sobrevivência Diferida (benefício pago ao conjuge, em caso de


morte do reformado por invalidez* ou velhice*).

 Orfãos e viúvas já existentes.

* depende do estipulado no Plano de Pensões!

29 Fundos de Pensões
VAPP

 VAPP – valor actual das pensões em pagamento


 É o montante que deverá existir hoje para fazer face
às responsabilidades assumidas, em particular com os
actuais pensionistas (reformados ou inválidos,...).

30 Fundos de Pensões
Referências

1. Garcia, Maria Teresa (2003) Economia e Gestão dos Fundos de


Pensões, Vida Económica
2. Garcia, Jorge & Simões, Onofre (2010) Matemática Actuarial:
Vida e Pensões
3. Winklevoss, H (2002) Pension mathematics with numerical
illustrations

31 Fundos de Pensões
Fundos de Pensões
PROF. DOUTORA LOURDES AFONSO
UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA – DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA
LBAFONSO@FCT.UNL.PT

32 Fundos de Pensões