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Centro de Emprego e Formação Profissional do Porto

UFCD-4323
Serviço de Formação Profissional do Porto

A
Organizaçaã o
Institucional
Objetivos:

Caracterizar as organizações no

do Turismo
âmbito do setor do turismo,
nacionais e internacionais e suas
atribuições e áreas de atuação.

1. Organização institucional do
Turismo
812188 -Técnico/a de Turismo
1.1. Organismos Internacionais com
Ambiental e Rural
intervenção Turística.

2. Papel do Estado no
desenvolvimento do turismo.

Formador: Carlos Moura


3. Estruturas e organismos do
sector público e Privado.
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INTRODUÇAÃ O

Esta UFCD visa identificar os vaá rios Organismos Internacionais e Nacionais


responsaá veis pelo fornecimento de informaçaã o pertinente e essencial para ajudar a perceber
as dinaâ micas do Turismo no mundo e mais especificamente em Portugal e ateá mesmo na
nossa regiaã o.
Para levar a efeito esta UFCD, primeiramente foram identificados esses organismos a
níável global, passando seguidamente para o níável nacional, regional e local.
Esta listagem de organizaçoã es agora apresentada, embora despretensiosamente
exaustiva naã o se esgota aqui, pois mais entidades servindo este mesmo propoá sito poderiam
ser aqui enquadradas, pelo que foi dado maior eâ nfase apenas aà s consideradas mais relevantes
nas diversas instaâ ncias de anaá lise.

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1. Organização institucional do Turismo


1.1. Organizações Internacionais

- Organização Mundial de Turismo (OMT)

EÉ um oá rgaã o consultor oficial da Organizaçaã o das Naçoã es Unidas e tem o objectivo de


promover e desenvolver o turismo no mundo (Goeldner 2002). A OMT eá representada por
mais de 138 paíáses e 350 filiaçoã es (governos, associaçoã es, grupos hoteleiros, operadores,
instituiçoã es educacionais), a sua relaçaã o com a ONU mostra como este sector eá importante
para o crescimento e desenvolvimento mundial.

Com sede em Madrid, Espanha, a sua origem remonta ao Congresso Internacional de


Associações Oficiais de Tráfego Turístico, realizado em 1925 na cidade de Haia, Holanda. Apoá s
a Segunda Guerra Mundial, foi rebatizada como União Internacional de Organizações Oficiais
de Viagens (IUOTO) e transferida para Genebra. A IUOTO era uma organizaçaã o naã o-
governamental que chegou a reunir 109 Organizações Nacionais de Turismo e 88 membros
associados dos sectores puá blico e privado. Em 1974, seguindo uma resoluçaã o da Assembleia
Geral das Naçoã es Unidas, foi transformada em um oá rgaã o intergovernamental. Em 2003,
tornou-se uma ageâ ncia especializada das Naçoã es Unidas.

Para que serve a OMT?

Serve como tribunal mundial para as questoã es políáticas inerentes aà actividade


turíástica e representa uma fonte de informaçaã o do mais alto conhecimento no que diz
respeito ao turismo.

Objectivo da OMT:

 Estimular o crescimento econoá mico atraveá s do turismo e aá reas relacionadas


tanto infra-estruturais (saneamento baá sico, educaçaã o, pavimentaçaã o,

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transporte) como super-estruturais (hospedagem, museus, parques,


restaurantes).

Efeitos dos objectivos da OMT:

• Permitir a ampliaçaã o de empregos directos e indirectos


• Proteger o meio ambiente e o patrimoá nio cultural atraveá s de políáticas
sustentaá veis,

• Diminuir os impactos negativos do turismo como a capitalizaçaã o de recursos


nos paíáses em desenvolvimento, a mercantilizaçaã o da cultura e os conflitos
entre turistas e populaçaã o local.

Órgãos que compõem a OMT?

 Assembleia Geral

EÉ o oá rgaã o supremo da OMT, reuá ne-se de dois em dois anos para aprovar o
orçamento e programa de trabalho para o sector turíástico.

 Conselho Executivo

Acompanha a execuçaã o do programa de trabalho e orçamento da organizaçaã o.


Reuá ne-se duas vezes por ano.

 Comissoã es Regionais

Existem seis Comissoã es Regionais (AÉ frica, Ameá ricas, Sudeste Asiaá tico e Pacíáfico,
AÉ sia do Sul, Europa e Meá dio Oriente) que se reuá nem pelo menos uma vez por ano.
Cada comissaã o regional eá composta por todos os membros efectivos e todos os
membros associados da sua regiaã o. Os membros afiliados da regiaã o participam
nos trabalhos na qualidade de observadores.

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 Comiteá s

Daã o parecer sobre a gestaã o do conteuá do

 Secretariado

As línguas oficiais da Organização são o francês, o inglês, o espanhol e o russo.

ENAT- European Network forAccessible Tourism, asblRede Europeia de Turismo Acessíável,


estabeleceram um Protocolo de Colaboraçaã o para contribuir para o desenvolvimento do
Turismo Acessíável em Portugal, no aâ mbito dos objetivos do Instituto de incrementar a
acessibilidade no setor, durante os proá ximos anos. registrada oficialmente no Commercial
Court of Brussels no dia 8 de maio de 2008, com a designaçaã o de European Network for
Accessible Tourism, asbl (Rede Europeia para o Turismo Acessíável), uma associaçaã o sem fins
lucrativos, com sede em Bruxelas.

A ENAT eá gerida por um Conselho Diretivo Internacional, composto por Membros de Pleno
Direito (Full Membership), eleitos por períáodos de quatro anos. Este modelo de gestaã o foi
instituíádo pelos fundadores e por aconselhamento de Entidades internacionais de refereâ ncia
no setor do Turismo Acessíável, constando dos seus Estatutos.

A missaã o da ENAT eá fazer com que os destinos turíásticos europeus, seus produtos e serviços
sejam acessíáveis a todos os viajantes, promovendo o Turismo Acessíável em todo o mundo. A
ENAT visa alcançar este objetivo, reunindo atores do setor, compartilhando experieâ ncias e
aprendizagens, colaborando em projetos e programas nacionais e internacionais que
permitam promover uma maior consciencializaçaã o e compreensaã o das necessidades de
acessibilidade em todas as aá reas da cadeia turíástica, em toda a Europa.

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PNUD – Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas

A OMT possui um plano de desenvolvimento (PNUD), este financia projectos de turismo e


desenvolvimento de infra-estrutura, como o projecto de melhoria de transporte no sul da
AÉ frica. O Programa das Naçoã es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) aleá m de ratificar as
metas da OMT serve tambeá m para desenvolver projectos, estatíásticas e anaá lise do mercado,
promovendo a troca de experieâ ncias entre os seus membros. A OMT tenta, portanto,
contribuir com o turismo mundial por meio de eliminaçaã o ou reduçaã o de medidas
governamentais, bem como padronizaçaã o de exigeâ ncias de passaporte, acesso aos viajantes e
segurança (Organizacion Mundial del Turismo, 1998).

UNESCO-Organização das Nações Unidas para educação, ciência e cultura

Foi criada em 1945 pela Confereâ ncia de Londres e tem como objetivo contribuir para a paz
atraveá s da educaçaã o, da cieâ ncia e da cultura. Visa eliminar o analfabetismo e melhorar o
ensino baá sico, aleá m de promover publicaçoã es de livros e revistas, e realizar debates
cientíáficos. Desde 1960, atua tambeá m na preservaçaã o e restauraçaã o de espaços de valor
cultural e histoá rico.

OCDE- Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico

EÉ um foá rum internacional que articula políáticas puá blicas entre os paíáses mais ricos do mundo.
Fundada em 1961, substituiu a Organizaçaã o Europeia para a Cooperaçaã o Econoá mica, criada
em 1948, no quadro do Plano Marshall. Sua açaã o, aleá m do terreno econoá mico, abrange a aá rea
das políáticas sociais de educaçaã o, sauá de, emprego e economia.

- O Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC)

EÉ a coalizaã o global dos cem (100) mais importantes executivos do sector. Dentre estes estaã o, a
hospedagem, cruzeiros, entretenimento, recreaçaã o, transporte e serviços relacionados a
viagens. Estabelecido em 1990 o WTTC eá coordenado por um comiteâ executivo de 15
membros. Seus objectivos saã o de coordenar e pesquisar as tendeâ ncias do mercado turíástico,
os impactos econoá micos, a oferta e a demanda nos paíáses emergentes, os cenaá rios futuros

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para o mercado do turismo, as políáticas governamentais dos diferentes paíáses do mundo,


enfim, anaá lise detalhada do turismo atraveá s dos seus relatoá rios e pesquisas.

Organização Marítima Internacional (IMO)

A Organizaçaã o Maríátima Internacional – eá a ageâ ncia especializada das Naçoã es Unidas


com a responsabilidade pela proteçaã o e segurança da navegaçaã o e a prevençaã o da
poluiçaã o marinha por navios. A cadeia de propriedade e gestaã o de qualquer navio
pode requerer muitos paíáses e os navios se deslocam entre diferentes jurisdiçoã es,
muitas vezes longe do paíás de registro. Haá , portanto, a necessidade de normas
internacionais para regular o transporte maríátimo – que podem ser adotadas e aceitas
por todos

A convençaã o que institui a Organizaçaã o Maríátima Internacional (OMI/IMO) foi


adotada em Genebra em 1948, encontrou-se pela primeira vez em 1959. A sua
principal tarefa tem sido a de desenvolver e manter um quadro regulamentar global
para o transporte e o seu mandato de hoje inclui a segurança, as preocupaçoã es
ambientais, questoã es juríádicas, cooperaçaã o teá cnica, a segurança maríátima e aà eficaá cia
da navegaçaã o.

Ageâ ncia especializada das Naçoã es Unidas com 169 Estados-Membros e treâ s membros
associados, estaá sediada no Reino Unido com cerca de 300 funcionaá rios
internacionais. (IMO,2016)

- Organização da Aviação Civil Internacional,

Tambeá m conhecida por sua sigla em ingleâ s, ICAO (International Civil Aviation Organization), eá
uma ageâ ncia especializada das Naçoã es Unidas criada em 1944 com 190 paíáses-membros. Sua
sede permanente fica na cidade de Montreal, Canadaá .

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Os seus principais objectivos saã o o desenvolvimento dos princíápios e teá cnicas de navegaçaã o
aeá rea internacional e a organizaçaã o e o progresso dos transportes aeá reos, de modo a
favorecer a segurança, a eficieâ ncia, a economia e o desenvolvimento dos serviços aeá reos.

Desenvolve tambeá m um trabalho importante no campo da assisteâ ncia teá cnica, procurando
organizar e dar maior eficieâ ncia aos serviços de infra-estrutura aeronaá utica nos paíáses em
desenvolvimento. Essa assisteâ ncia eá prestada por meio de equipas de especialistas, enviados
aos diversos paíáses para organizar e orientar a operaçaã o dos serviços teá cnicos indispensaá veis
aà aviaçaã o civil, e de bolsas de estudo para cursos de especializaçaã o.

- Associação Internacional de Transporte Aéreo

(acroá nimo portugueâ s: AITA), em ingleâ s, International Air Transport Association ou IATA (que
eá universalmente usada), eá uma organizaçaã o internacional de linhas aeá reas sediada em
Montreal, Quebec no Canadaá . A IATA foi fundada em 1919, antes da ICAO, com mais de 280
empresas aeá reas associadas, representando mais de 95% do traá fego aeá reo internacional
regular. Tem como objectivos principais apoiar a induá stria de Linhas Aeá reas, promover um
serviço aeá reo idoá neo, confiaá vel e seguro para o benefíácio dos povos do mundo, providenciar
meios de colaboraçaã o entre as linhas aeá reas, directa ou indirectamente, no transporte aeá reo
internacional e cooperar com a ICAO e outras organizaçoã es relevantes.

WATA-EÉ uma associaçaã o sem fins lucrativos, criada em 1949 na Suíáça.


Especializada num extenso conjunto de serviços que vaã o desde grupos de lazer,
confereâ ncias, congressos e eventos em mais de 50 destinos.
Em 05 de maio de 1949: 8 agentes de viagens profissionais da França, Itaá lia, Beá lgica,
Espanha e Suíáça reuniram-se em Genebra para criar um organismo internacional para
melhorar e racionalizar a organizaçaã o do turismo internacional.
Sob a liderança de seu Presidente, Sr. Daniel V. Dedina de Paris, eles começaram a
legalizar a marca WATA, Associaçaã o Mundial das Ageâ ncias de Viagem, numa base global.
(WATA,2016)

A International Federation of Tour Operators (IFTO)

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EÉ uma organizaçaã o sem fins lucrativos, criada na Suíáça por e para operadores
turíásticos, com o apoio do PNUA (Programa das Naçoã es Unidas para o Ambiente), da UNESCO
(Organizaçaã o para a Educaçaã o, Cieâ ncia e Cultura das Naçoã es Unidas) e da OMT (Organizaçaã o
Mundial de Turismo), e com o intuito de tornar a questaã o da sustentabilidade a principal
linha do seu negoá cio, incitando a colaboraçaã o e a cooperaçaã o entre todos os associados.
A sua missaã o eá a de fomentar a integraçaã o de praá ticas sustentaá veis nos operadores,
disponibilizando instrumentos que permitam minimizar os impactos negativos e maximizar
os impactos positivos que surjam tanto ao níável do ambiente, como das comunidades locais. A
mesma preveâ as seguintes praá ticas: gestaã o interna, nomeadamente do que diz respeito aos
desperdíácios e aà reciclagem; gestaã o e desenvolvimento de produtos ambientais, social e
economicamente sustentaá veis; contrataçaã o de fornecedores sustentaá veis; garantir relaçoã es
estreitas com os clientes, disponibilizando informaçaã o sobre a temaá tica da sustentabilidade e
promovendo comportamentos responsaá veis.

1.2. Organizações Nacionais

 Natureza e Funções das ONT`S:

- Responsaá veis pelo marketing;

- Podem ser uma organizaçaã o puá blica ou privada;

- Teâ m um papel liderante na formulaçaã o e implementaçaã o da políática de turismo.

 Alguns objectivos:

- Estimular o turismo no paíás, em favos de iniciativa privada;

- Defesa da quota de mercado do paíás no mercado turíástico internacional;

- Comunicar de forma apelativa o destino.

 Actividades mais conhecidas:

- Informaçaã o turíástica;

- Promoçaã o turíástica.

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Em Portugal, a instituiçaã o do governo que tutela o Turismo eá a Secretaria de Estado do


Turismo, que estaá sob a alçada do Ministeá rio da Economia e Inovaçaã o.

Organismos Nacionais Públicos

- Turismo de Portugal, I.P.

O Turismo de Portugal, I.P. eá a entidade puá blica central responsaá vel pela promoçaã o,
valorizaçaã o e sustentabilidade da actividade turíástica. EÉ responsaá vel pelo licenciamento e
classificaçaã o dos empreendimentos turíásticos; pelo financiamento e incentivos ao
financiamento de projectos na aá rea do Turismo; planeamento e certificaçaã o da formaçaã o
turíástica; promoçaã o de Portugal no estrangeiro. Compete-lhe igualmente zelar pelo
cumprimento da legalidade no aâ mbito da actividade do jogo.

- IFT: Instituto de Financiamento e apoio ao Turismo (ex-Fundo de Turismo)

Que presta a assisteâ ncia financeira ao sector privado e puá blico para o desenvolvimento do
Turismo.

- INFTUR

Instituto de Formaçaã o Turíástica, organismo encarregado da formaçaã o profissional na aá rea


turíástica gerindo as escolas hoteleiras e desenvolvendo iniciativas de formaçaã o.

- IGJ

Inspecçaã o-Geral de Jogos, cuja actividade se relaciona com os jogos de fortuna e azar (casinos
e bingo), procedendo aà sua regulamentaçaã o e inspecçaã o

- ICEP

Investimentos, Comeá rcio e Turismo de Portugal, promovem o investimento e o comeá rcio


externos bem como a promoçaã o turíástica no estrangeiro dos destinos portugueses, neste caso
sob a orientaçaã o do Secretaá rio de Estado do Turismo. Para o efeito dispoã es de delegaçoã es nos
paíáses principais parceiros econoá micos de Portugal.

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Organismos Nacionais Privados

- ACB - Algarve Convention Bureau eá uma associaçaã o de direito privado, sem fins lucrativos,
que tem por objectivos a promoçaã o interna e externa do Algarve como destino de turismo de
negoá cios e lazer, bem como de local para a realizaçaã o de congressos, reunioã es, feiras
exposiçoã es e outros afins.

- ARPT Alentejo - Ageâ ncia Regional de Promoçaã o do Turismo do Alentejo, tem a natureza de
associaçaã o de direito privado, sem fins lucrativos. Saã o seus objectivos, o desenvolvimento
turíástico sustentado da sua aá rea de intervençaã o, a promoçaã o da regiaã o como destino turíástico,
a informaçaã o e apoio aos turistas.

- ARPT Centro - Ageâ ncia Regional de Promoçaã o Turíástica do Centro de Portugal, Saã o seus
objectivos, a promoçaã o externa da aá rea promocional como destino turíástico, a defesa e
desenvolvimento dos interesses promocionais dos seus associados e o levantamento e
monitorizaçaã o da oferta e da procura turíástica externa da aá rea promocional.

- ATA - Associaçaã o Turismo do Algarve, eá uma associaçaã o de direito privado, cuja natureza
consiste na promoçaã o e divulgaçaã o turíástica do Algarve, com base no estabelecimento de
parcerias Puá blicas e Privadas.

- ATL- Associaçaã o de Turismo de Lisboa, tem por objectivo o desenvolvimento turíástico


sustentado da sua aá rea de intervençaã o, atraveá s da promoçaã o da regiaã o como destino turíástico
e da promoçaã o da regiaã o como local de realizaçaã o de congressos, feiras e outras organizaçoã es
afins e como destino de viagens de incentivos, entre outros.

- CTP - A Confederaçaã o do Turismo Portugueâ s tem por objectivo, entre outros, promover o
estudo e o debate de temas que interessam ao sector econoá mico do turismo, e tem por aâ mbito
as federaçoã es, unioã es e outras associaçoã es do sector empresarial do turismo.

- PCB - Porto Convention Bureau, constituíáda por entidades puá blicas e privadas, com o
objectivo de criar uma imagem de qualidade e prestíágio do Porto e Norte de Portugal, junto
dos mercados nacional e internacional. Entre outros, tem por objectivos desenvolver os
processos de captaçaã o do maior nuá mero possíável de congressos nacionais e internacionais,

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viagens de incentivo e eventos afins, atraveá s de estrateá gias de marketing adequadas.

- ESCB - Estoril & Sintra Convention Bureau, eá uma Associaçaã o que tem por objectivos, , a
promoçaã o da Costa do Estoril e Sintra como local de realizaçaã o de Congressos, reunioã es,
feiras, exposiçoã es e outras organizaçoã es afins e destino de viagem de incentivos.

- Fundação CTI Nordeste - Promoçaã o do intercaâ mbio de acçoã es voltadas ao incremento do


turismo entre Portugal e o Nordeste do Brasil, favorecendo o crescimento dos fluxos de
visitantes.

2. Papel do Estado no Turismo

O turismo eá considerado um sector estrateá gico prioritaá rio para o Paíás atendendo aà s receitas
externas que proporciona bem como ao potencial que encerra para o combate ao
desemprego, para a valorizaçaã o do patrimoá nio natural e cultural do Paíás, para a melhoria da
qualidade de vida da populaçaã o e para a atenuaçaã o das assimetrias regionais.

Sendo a actividade turíástica caracterizada pela complexidade, bem como pela sua
diferenciaçaã o no tipo de oferta, na dimensaã o, no grau de desenvolvimento regional, na
variedade e dimensaã o empresarial, entre outros aspectos, torna-se necessaá ria a adopçaã o de
uma políática nacional de turismo, que integre de forma coerente as diversidades e diferenças
existentes e promova a articulaçaã o entre o turismo e outros sectores que com ele manteâ m
conexaã o, como o ordenamento do territoá rio, o ambiente, a cultura, as infra-estruturas, o
transporte aeá reo, etc.

- PENT – Plano estratégico Nacional do Turismo

O PENT - Plano Estrateá gico Nacional do Turismo eá uma iniciativa governamental, da


responsabilidade do Ministeá rio da Economia e da Inovaçaã o que teve inicio em 2006. Ateá 2015,
serviraá de base aà concretizaçaã o de acçoã es para o crescimento sustentado do Turismo nacional
e orientaraá a actividade da entidade puá blica central do sector, o Turismo de Portugal, I.P.
 Função:

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Define as linhas de orientaçaã o estrateá gica para a políática de Turismo, com metas e objectivos
claros, de forma a criar as condiçoã es que permitam ao Turismo contribuir decisivamente para
a imagem do paíás e para o bem-estar da portuguesa, atraveá s da geraçaã o de riqueza, da criaçaã o
de postos de trabalho e da promoçaã o da coesaã o territorial.

 Estratégia
- Tornar Portugal num dos destinos de maior crescimento na Europa, apresentando uma
Proposta de Valor fundamentada em caracteríásticas distintivas e inovadoras do paíás.
- Desenvolver o Turismo atraveá s da qualificaçaã o e competitividade da oferta, primando
pela exceleâ ncia ambiental e urbaníástica, pela formaçaã o dos recursos humanos e pela
modernizaçaã o empresarial e das entidades puá blicas.
- Atribuir ao Turismo uma importaâ ncia crescente na economia, constituindo-o como um
dos motores do desenvolvimento social, econoá mico e ambiental a níável regional e
nacional.

TURISMO 2020
Terminado o horizonte temporal do PENT, impunha-se tomar uma decisaã o: deve o sector
do turismo em Portugal ter um Plano Estrateá gico Nacional, que defina com detalhe metas
quantitativas de crescimento em nuá mero de dormidas e hoá spedes, que defina produtos
estrateá gicos, nacionais e por regioã es, que estabeleça planos de açaã o a dez anos sobre o
desenvolvimento da estruturaçaã o e promoçaã o desses produtos.
Este documento, que agora aprovamos e colocamos aà consulta puá blica, revoga o PENT e
define uma ambiçaã o de competitividade para o nosso destino e cinco princíápios que
favorecem a sua concretizaçaã o.

Saã o estes os princíápios que, transversais a todo o documento, corporizam e enformam


toda aloá gica operacional das seis formas com que expressamos a ambiçaã o de qualificaçaã o e
competitividade do nosso destino:

1. Um destino sustentaá vel e de qualidade, onde crescimento turíástico eá compatíável com a


produçaã o de benefíácios para o territoá rio e as comunidades e onde o Estado, na preservaçaã o do
territoá rio, deve saber cumprir o seu papel;
2. Um destino de empresas competitivas, onde um ambiente saudaá vel para a iniciativa
privada promove a concorreâ ncia e inovaçaã o na atividade turíástica;

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3. Um destino empreendedor, facultado de todas as competeâ ncias e conhecimento que lhe


permita ser o paíás campeaã o do empreendedorismo turíástico;

4. Um destino ligado ao Mundo, onde a conectividade e a mobilidade dos turistas saã o


ferramentas importantes na ativaçaã o da procura;
5. Um destino gerido de forma eficaz, onde a definiçaã o clara das competeâ ncias de cada
agente naã o deve ser um entrave aà iniciativa privada, aà exploraçaã o de sinergias e intensificaçaã o
da transversalidade do turismo;
6. Um destino que marca, cujas estrateá gias de promoçaã o e comercializaçaã o devem resultar
de visoã es teá cnicas e naã o políáticas no sentido de almejar a eficieâ ncia. Uma ambiçaã o e cinco
princíápios eá assim o que propomos como estrateá gia das entidades puá blicas no sector do
turismo para os proá ximos cinco anos.

Adolfo Mesquita Nunes


Secretaá rio de Estado do Turismo

Saã o cinco os princíápios orientadores fundamentais que devem inspirar as políáticas


puá blicas no turismo: pessoa, liberdade, abertura, conhecimento e colaboraçaã o.

1. PESSOA
Que princíápios de atuaçaã o devem orientar o Estado deforma a criar condiçoã es para que
Portugal seja o destino turíástico mais dinaâ mico e aá gil da Europa?
Dizer que o turismo eá uma atividade para pessoas eá um lugar-comum. Reconhecer que as
pessoas teâ m cada vez maior poder de escolha eá outra evideâ ncia. Defender que a expressaã o da
individualidade de cada um eá um poderoso motivador das açoã es do ser humano tambeá m eá
consensual.
Temos entaã o de concluir, logicamente, que o foco central de todos os que operam no
sector turíástico teâ m de ser a pessoa – melhor dito, o turista – que viaja.
Na verdade, o sucesso de todos os agentes do turismo em Portugal depende, em uá ltima
anaá lise, do grau de satisfaçaã o que consigamos proporcionar a cada uma das pessoas que nos
visita.
Esta atitude de enfoque na pessoa individual tem importantes implicaçoã es nas
prioridades de atuaçaã o de todos.

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Desde logo, eá fundamental dar maior importaâ ncia aos fatores de compreensaã o e gestaã o da
procura, pois eá esta que determina as opçoã es corretas ao níável da oferta, e naã o o contraá rio.

Ou seja, as políáticas puá blicas devem estar orientadas para a procura, naã o para a oferta.
Devem procurar entender as motivaçoã es da procura, respeitaá -las, e adaptar-se a estas,
evitando a tentaçaã o contraá ria, a de duvidar ou questionar a procura, tentando condicionaá -la aà
oferta existente.
Quer isto dizer que qualquer procura serve? Que qualquer turista serve? Evidentemente que
naã o. O que isto quer dizer eá taã o-somente que o foco da políática puá blica deve estar na procura,
existente e real, seja em que segmento ou escalaã o for, e naã o na oferta. Se o foco estiver na
procura, a oferta, se existirem as condiçoã es para o efeito, criar-se-aá .
Se o foco estiver na oferta, naã o sabemos se a procura viraá .
Quantos projetos naã o falharam apenas porque se pensou na oferta que se queria ter num
territoá rio e naã o na procura que o poderia animar? Um projeto muito bom que naã o atraia
turistas eá um mau projeto, passe a aparente contradiçaã o. EÉ preciso superar a visaã o que radica
na oferta e naã o tem os olhos postos na procura.
Por outro lado, a multiplicidade de motivaçoã es e interesses das pessoas que viajam
desaconselha fortemente que se cataloguem de forma ríágida, seja sob a forma de produtos
turíásticos, mercados preferenciais ou grupos sociodemograá ficos a infinita variedade da
procura.
As tendeâ ncias econoá micas e sociais do turismo permitem a uma mesma pessoa viajar
vaá rias vezes na sua vida, e ateá vaá rias vezes num ano, de tal forma que uma mesma pessoa
pode ter, ao longo da sua vida de turista, vaá rias motivaçoã es distintas, combinadas ou naã o
numa mesma viagem, diferentes das motivaçoã es da viagem seguinte. Cada pessoa naã o eá mais
catalogaá vel numa espeá cie de categoria ou produto, faá cil de segmentar por si. Antes pelo
contraá rio, cada pessoa encerra vaá rias motivaçoã es, quer vaá rios produtos.
Quer isto dizer que naã o eá possíável ter políáticas de foco na procura? Antes pelo
contraá rio. O que isto quer dizer eá taã o-somente que a procura se dispersa hoje por milhares de
produtos, motivaçoã es e experieâ ncias, que uma mesma pessoa pode ser atraíáda por produtos e
motivaçoã es e experieâ ncias distintas, e que qualquer políática puá blica focada em produtos e naã o
em pessoas, em regioã es e naã o em pessoas ou em segmentos e naã o em pessoas ou qualquer
políática puá blica que ignore esta realidade corre o risco de ser afunilada.

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Para que fique claro, naã o se declara a impossibilidade da segmentaçaã o ou


customizaçaã o, muito pelo contraá rio. O que se diz eá que o enfoque convencional da mobilizaçaã o
dos recursos e da organizaçaã o dos produtos deve agora ser englobado numa atençaã o
redobrada aà s pessoas, com caracteríásticas e motivaçoã es diversificadas, onde eá a valorizaçaã o
das experieâ ncias que permite o refinamento da segmentaçaã o e o desenvolvimento da
customizaçaã o de massa.
Se eá um facto que tal princíápio parece consensual, naã o eá menos verdade que, na sua
concretizaçaã o, se nota muitas vezes que as entidades puá blicas dele se afastam.
Sempre que o Estado embarca em catalogaçoã es sobre turismo de qualidade para, assim,
justificar políáticas puá blicas de apoio aà construçaã o ou reconstruçaã o de determinado tipo Se o
foco estiver na procura, a oferta, se existirem as condiçoã es para o efeito, criar-se-aá . Se o foco
estiver na oferta, naã o sabemos se a procura viraá de equipamentos, estaá a violar este princíápio,
porquanto parece esquecer que o turismo de qualidade naã o eá jaá hoje reconduzíável a um soá
tipo de alojamento ou experieâ ncia.
Sempre que o Estado procura impedir novas formas de alojamento, que entram em
concorreâ ncia com formas presentes ou instaladas, estaá a violar este princíápio, porquanto estaá
a condicionar as escolhas dos turistas naã o aà sua vontade mas aà oferta que pretende protegida.
Quando estrutura a sua promoçaã o por regioã es ou produtos e naã o por motivaçoã es ou
experieâ ncias, estaá a violar este princíápio, porquanto estaá a definir a comunicaçaã o com base
em criteá rios da oferta, naã o da procura.
Assim, no aâ mbito da anaá lise da procura, para lhe dar resposta, o enfoque deve estar na
pessoa, que evidentemente pode depois agrupar-se em tendeâ ncias ou segmentos, e naã o
no coletivo, ganhando assim relevo a motivaçaã o e a experieâ ncia.
Por outro lado, a individualizaçaã o da procura, com o crescente nuá mero de turistas a planear e
a reservar as suas viagens de forma descentralizada, nomeadamente atraveá s dos meios
digitais, exige das políáticas puá blicas e de todos os stakeholders uma adaptaçaã o a esta
realidade.
Se haá que atrair, cativar e fazer sonhar o turista, trazendo-o para a reserva e comercializaçaã o,
entaã o haá que focar as políáticas puá blicas, ou centraá -las, precisamente onde o turista circula, o
que obriga, assim, a uma adaptaçaã o aà economia digital.

LIBERDADE

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A diversidade de motivaçoã es individuais daqueles que nos visitam eá , por si soá , um


desafio importante na gestaã o de Portugal enquanto destino turíástico competitivo. Se haá que
atentar na procura, e esta assume tantas declinaçoã es, como garantir que a oferta surge?
Mas a dificuldade do desafio de permanecer competitivo na captaçaã o da procura aumenta
ainda quando percebemos que as ditas motivaçoã es individuais se alteram, por vezes
radicalmente, com o tempo e com as evoluçoã es no posicionamento dos destinos nossos
concorrentes.
EÉ , por isso, ilusoá rio pensar que eá possíável a qualquer instituiçaã o central definir de que
forma concreta se deve adaptar a oferta turíástica para melhor corresponder aà s necessidades
das pessoas que viajam. Porque essa procura corresponde a milhoã es e milhoã es de motivaçoã es
e experieâ ncias, em constante mutaçaã o. Um esforço de adaptaçaã o permanente com esta
magnitude e complexidade exige um trabalho conjunto e simultaâ neo de todos os agentes
turíásticos, a começar na iniciativa privada.
EÉ o sector privado que melhor conhece a procura e eá o sector privado que estaá em
melhor posiçaã o para detetar as inevitaá veis e frequentes alteraçoã es dessa mesma procura.
EÉ certo que, em mateá ria de promoçaã o e comercializaçaã o, o sector puá blico deve, tambeá m ele,
fazer um esforço importante de atualizaçaã o aà procura, de forma a cativa-la. Mas a oferta, do
ponto de vista do destino e das experieâ ncias e dos equipamentos, depende muito do
investimento privado, do risco privado, do arrojo privado.
Esta exigeâ ncia de adaptabilidade e inovaçaã o que se coloca ao sector privado soá eá
possíável de cumprir num contexto em que exista liberdade de atuaçaã o.

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Estrutura e organismos do setor público e do


setor privado

A atuação do poder público no turismo

Funções do Estado
A crescente interdependência dos fatores económicos e Sociais do turismo faz com que só
o Estado possa identificar e canalizar os distintos interesses envolvidos, mantendo, porém como
sua principal preocupação, o desenvolvimento sociocultural da população, a melhoria de sua
qualidade de vida, e a proteção ao meio ambiente.

Para assegurar o desenvolvimento do turismo, minimizando seus efeitos perversos, o


Estado necessita do apoio e participação de todos os agentes do setor, e de desempenhar as
funções coordenadoras, normativas, planejadora e financiadora que lhe são próprias.

Função coordenadora

A coordenação da atividade turística só se torna possível pela elaboração e


implementação de uma política pública para o setor, e para se chegar a ela faz-se necessário uma
estreita colaboração entre o órgão federal de turismo e as entidades direta e indiretamente
ligadas à atividade. Deve, por isso, ser buscada a mais ampla consulta aos órgãos governamentais
e às associações representativas de empresários e profissionais do turismo, assim como aos
usuários e às comunidades locais.

O esforço coordenador da administração nacional do turismo deve ser suficientemente


persuasivo para poder assegurar que todas as entidades envolvidas na formulação da política do
setor estejam cientes do seu próprio papel e reconheçam sua responsabilidade de contribuir para
seu sucesso.

A administração pública deve, ainda, atuar como um despachante privilegiado,


encaminhando a outros órgãos e instâncias do governo e entidades envolvidas nessa atividade as
reclamações e solicitações, pressionando politicamente para facilitar o processo de
implementação dessa política.

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Algumas medidas devem, então, ser tomadas para garantir o sucesso da função
coordenadora:

a) Assumir de fato a coordenação e oferecer aconselhamento às diversas entidades do turismo;

b) Garantir a participação dos representantes das entidades públicas e privadas do setor no


processo decisório;

c) Alargar a base de consultas às entidades de turismo, e também a organizações sem fins


lucrativos, tais como clubes esportivos, sociedades culturais, cooperativas sociais;

d) Integrar os esforços dos órgãos de turismo do país e do exterior;

e) Distribuir os benefícios culturais, econômicos e sociais do turismo;

f) Conscientizar as comunidades para os efeitos positivos e negativos do desenvolvimento


turístico;

g) Preparar o pessoal da administração do turismo para o atendimento das demandas impostas


pela cooperação, pela própria coordenação e pela melhoria da qualidade do produto turístico.

Função normativa

A legislação geral não atende às necessidades do desenvolvimento do turismo.

Toma-se necessário, por isso, formular leis e regulamentos específicos que privilegiem o papel do
turismo em todos os campos da vida econômica, social, cultural e política, dando-lhe prestígio
como atividade e, em consequência, atraindo gente jovem e competente para o setor.

Entre as medidas regulat6rias necessárias podemos apontar:

a) Regulamentação do uso do solo para fins turísticos;

b) Proteção do ambiente natural e da qualidade de vida;

c) Organização interna da administração pública do setor;

d) Credenciamento e regulamentação dos serviços direta e indiretamente ligados ao turismo;

e) Organização do sistema de promoção do turismo;

f) Cooperação internacional e interestadual;

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g) Fiscalização das empresas turísticas;

h) Facilitação do trânsito de turistas;

i) Direito dos cidadãos ao descanso e ao lazer, pelo menos como norma programática a ser
progressivamente implementada, como ocorre em vários países.

Função planeamento

O planeamento do turismo faz com que o governo se envolva diretamente no processo de


desenvolvimento do setor e cria um clima de confiança, certeza e estabilidade que vem beneficiar,
a um s6 tempo, o empresariado do setor e os turistas.

Por outro lado, a simples explicitação de um plano já permite a integração do plano


nacional de turismo no planeamento global do país, de modo a contribuir sinergicamente para o
desenvolvimento económico-social.

O planeamento do turismo envolve importantes aspetos do desenvolvimento, tais como:

a) Uso racional dos recursos naturais;

b) Análise da demanda turística;

C) Flexibilidade necessária para integrar os fatores económicos e os não económicos de peso


(culturais, sociais e naturais) e reduzir os efeitos perversos do próprio desenvolvimento;

d) Formação e distribuição espacial de recursos humanos especializados;

e) Interiorização e diversificação do produto e dos serviços turísticos.

Na realidade, o principal fim do planeamento deve ser assegurar que o produto atenda às
necessidades sociais das comunidades e esteja em concordância com o potencial turístico da
região.

Havendo respeito à identidade sociocultural e ao meio ambiente do núcleo recetor, a


execução do plano levará, invariavelmente, aos esperados benefícios econômicos. Como lembra

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Kadt, "sem planeamento e sem acompanhamento, a proporção de benefícios do desenvolvimento


do turismo favorecendo os pobres será menor do que precisa ser".

Função financiadora

Para se desenvolver, o turismo necessita de vultosos investimentos em infraestrutura e


equipamentos, e por isso não pode prescindir do financiamento estatal.

O dinheiro público deve servir para promover e acelerar o progresso da população.


Compete, assim, ao governo suportar o custo dos grandes planos e da necessária infraestrutura
básica e, só subsidiária e complementarmente, criar unidades turísticas pioneiras no que toca à
localização e às condições de operação, a fim de, pelo efeito demonstrativo, atrair a iniciativa
privada.

Paralelamente, podem ser criados, em áreas locais de interesse turístico, incentivos e


isenções ou outros instrumentos financeiros e fiscais, tais como:

A} redução do imposto sobre serviços (ISS) de qualquer natureza;

B} redução do imposto sobre circulação de mercadorias (ICM);

C} redução das taxas de juros de empréstimos para empreendimentos turísticos, nos


estabelecimentos bancários estaduais;

D} fixação de termos preferenciais na venda ou concessão de terrenos públicos para fins de


implantação de empreendimentos turísticos;

e) Assistência técnica no desenvolvimento de pesquisas, consultas e pedidos de financiamento


estatal;

f) Criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento do Turismo, dotado de recursos e critérios


claros de utilização. O governo tem de adotar toda uma sistemática de financiamento e incentivos
fiscais expressa em uma estratégia geral para o desenvolvimento, como é sugerida por Heller e
Kauffman, que se resume no seguinte:

a) Planeamento - atendendo à escassez geral de recursos e à insuficiência do mercado de capitais


existente para cuidar das necessidades financeiras da iniciativa privada, tomando necessário
recorrer a empréstimos no estrangeiro e a financiamento deficitário, o que, por sua vez, exige a
intervenção do setor público;

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b) Natureza do engajamento do governo - variando entre planejamento com participação do


governo e planejamento com isenção de impostos, em algum grau, uma vez que, não podendo o
setor público falhar, a isenção fiscal deve ser concedida como medida de controle do setor
privado;

c) Papel do capital estrangeiro - evitando ambigüidades relativamente à participação que se


deseja que tenha no desenvolvimento, compensando as vantagens do influxo de capital,
tecnologia e competência administrativa com as desvantagens da dependência;

d) Ênfase setorial - como forma de concentração de recursos e esforços;

e) Equilíbrio do balanço de pagamentos - visando a corrigir o seu déficit pela via do aumento das
exportações, da redução das importações ou de um influxo maior de capitais;

f) Economias internas e externas facilitando economias de escala e procurando atingir as


empresas supridoras de bens e serviços às empresas beneficiárias, o que auto-estimularia o
processo de desenvolvimento.

Objetivos
Todo o esforço do estado e a utilização dos recursos públicos devem objetivar o bem-estar da
população, ou seja, é imprescindível saber para que e para quem fazer.

Do ponto de vista do turismo, são basicamente cinco esses objetivos:

1. Desenvolvimento econômico;

2. Desenvolvimento sociocultural;

3. Proteção ao meio ambiente;

4. Conscientização das comunidades para os impactos do desenvolvimento turístico;

5. Garantia do direito dos cidadãos ao lazer e às férias.

Papel do turismo

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Desenvolvimento econômico
São consideráveis os efeitos econômicos do turismo:

a) Diversidade de atividades que têm de ser exercidas e quantidade de bens e serviços que têm de
ser produzidos;

b) Geração de novos empregos e manutenção dos já existentes;

c) Impactos em outros setores da economia;

d) Redistribuição da renda individual e regional;

e) Aporte de divisas ao balanço de pagamentos;

f) Impactos nas transações internacionais, nomeadamente na importação e exportação de


produtos;

g) Criação de novas profissões e novos negócios.

Estes efeitos só se tornam positivos se obviadas as suas perversidades sobre a qualidade de vida e
sobre o desenvolvimento social e cultural das populações hospedeiras.

Por isso, o Estado deve guiar e assistir à iniciativa privada, apontando-Ihe oportunidades de
investimento mais condizentes com as necessidades da região e dos consumidores, e em tal
variedade de opções que permita a mais larga produção de bens e serviços que atendam
simultaneamente aos interesses da comunidade recetora e aos imperativos da demanda turística.

Assim sendo, a segmentação dos mercados deverá ser uma das primeiras preocupações estatais
como forma de direcionar os investimentos para as necessidades dos distintos grupos etários e de
interesse.

É preciso, sobretudo, ter sempre em mente que o desenvolvimento do turismo recetivo (receção
de turistas) internacional deve ser acompanhado de um esforço maior ou pelo menos igual ao da
expansão do turismo doméstico.

O objetivo econômico deve ser função dos objetivos social e cultural, e não o inverso.

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Desenvolvimento sociocultural
A prática do turismo faz-se pelo contato direto do turista com a cultura, a história e a população
de uma região.

As artes plásticas, o artesanato, as manifestações populares e religiosas contribuem para a


formação da identidade de um povo, motivo pelo qual o zelo na conservação dos sítios (locais,
monumentos e ambientes) históricos, culturais e religiosos passa a ser uma atribuição cívica da
população, que deverá ser educada e alertada para os impactos do turismo, e organizada em
associações de cunho cultural.

No plano doméstico, as férias e as viagens permitem que as pessoas tomem conhecimento e


contato com a riqueza de sua própria cultura e tradições. Por isso, compete ao Estado promover
viagens de natureza informativa e cultural direcionadas preliminarmente aos jovens e às camadas
da população adulta de baixo nível de instrução e baixo rendimento.

Toma-se necessário providenciar para que não aconteçam as deturpações causadas pelo turismo
de massa, e diversificar e modernizar os núcleos recetores, de modo a promover uma constante
demanda pelo turismo de qualidade.

A vida cultural e social das populações hospedeiras precisa enriquecer-se paralelamente à dos
visitantes.

Proteção ao meio ambiente


Como os recursos naturais são esgotáveis, e a tentativa de sua recuperação é altamente custosa, é
preferível compatibilizar a ação turística com as possibilidades de utilização e as necessidades de
preservação dos bens naturais e culturais, buscando um nível ótimo de ocupação em função do
espaço disponível.

Com isto se evita o aumento da poluição em todos os meios, reduz-se a especulação imobiliária e
promove-se a qualidade de vida das populações, ao mesmo tempo que se contribui para eliminar
as tensões (especialmente as ocasionadas pelo efeito de demonstração de Duisenberg e a alta
generalizada dospreços), provocadas pelos turistas nos habitantes dos núcleos receptores.

Assim, o Estado deve assegurar o uso racional dos recursos através de:

a) Combate à poluição provocada pelo uso turístico;

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b) Proibição das atividades que possam poluir;

c) Integração dos empreendimentos turísticos com o meio em que estão inseridos.

A satisfação das necessidades turísticas não pode ser obtida à custa de depredações do ambiente
natural e humano, porque este é a atração básica do turismo.

Conscientização das comunidades


A conscientização das comunidades para o turismo deve ser feita através da divulgação e da
educação cívica.

Do lado da divulgação turística faz-se necessário utilizar os meios de comunicação social de forma
integrada, conduzindo campanhas que alertem os cidadãos para a responsabilidade cívica relativa
ao turismo.

Autóctones e turistas podem ser envolvidos de forma criativa, participando da discussão dos
temas, de concursos fotográficos, de relatos de viagens ou assistindo a programas de televisão,
rádio e filmes e lendo jornais, revistas e livros sobre temas turísticos.

Já a educação da juventude pode ser conseguida pela inclusão do turismo nos currículos escolares
e pela organização de viagens de estudo.

A formação e a preparação de profissionais do turismo devem também incluir, além da


capacitação e especialização técnicas, os aspetos morais e éticos e os valores filosóficos e
espirituais do turismo, tais como o naturalismo, a fraternidade universal, etc.

Deve-se ter presente que a conscientização turística implica a colaboração da comunidade na


fiscalização da utilização e manutenção do patrimônio turístico.

Garantia do direito ao lazer e às férias


O direito fundamental do ser humano ao descanso e ao lazer está hoje mundialmente aceito e
institucionalizado com a política social das férias pagas, mas o efetivo exercício desse direito vem
sendo dificultado pelas condições em que subsiste a maior parte da população dos países em
desenvolvimento.

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Por isso, a Declaração de Manila estabelece que o turismo social é um objetivo que a sociedade
deve perseguir no interesse daqueles cidadãos menos privilegiados quanto ao exercício do seu
direito ao descanso.

Para isso, os equipamentos de lazer precisam permanecer, durante todo o tempo, preparados para
atender às necessidades de movimentação e lazer das massas urbanas que são as mais cerceadas
na sua natural necessidade de movimentação, ao mesmo tempo que ficam disponíveis para a
população em geral.

O direito às férias também pode ser facilitado pela distribuição dos períodos de gozo de férias
pagas ao longo do ano, contribuindo para eliminar o grave problema da sazonalidade no turismo,
e conseguindo reduções significativas nos preços.

A criação de possibilidade de acesso ao turismo e ao lazer por parte das camadas sociais ainda
alheias ou à margem desses benefícios sociais é uma obrigação do Estado.

Planeamento
A determinação de como, onde e quando alcançar esses objetivos, ou seja, os meios e programas
a utilizar, é função do planeamento. Para começar, faz-se necessário o levantamento das
potencialidades, características, estrutura e organização da oferta turística, incluindo a avaliação
das tecnologias e dos recursos humanos disponíveis nos seus aspetos administrativos e técnicos, e
uma pesquisa das tendências da demanda turística.

Este trabalho preliminar, que tem de ser exaustivo, vai propiciar o inventário da herança turística e
a demarcação de áreas e locais de interesse turístico, ou seja, saber com o que contamos para
planejar o desenvolvimento do turismo em Portugal.

Partindo deste referencial, podemos organizar a ação tendo como linhas mestras:

1. A defesa do patrimônio turístico;

2. A preparação de infraestruturas básicas;

3. A modernização dos núcleos recetores;

4. A regulamentação dos serviços turísticos;

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5. A divulgação de informações turísticas;

6. A conscientização da comunidade;

7. A formação de recursos humanos para o turismo;

8. A promoção do turismo recetivo (receção de turistas nacionais ou estrangeiros);

9. A comercialização do produto turístico (conjunto das atividades de hospedagem,


entretenimento e transporte que compõem uma oferta turística específica).

A preparação de infraestruturas básicas


Os pontos fundamentais da infraestrutura, que permitem o desenvolvimento turístico, residem
nos transportes e comunicações e na saúde e saneamento.

No que diz respeito aos transportes, faz-se necessário atentar para o seguinte:

a) Rodovia - é preciso manter as estradas existentes em bom estado de conservação e abrir novas
vias de comunicação, tendo em vista a facilitação dos roteiros turísticos;

b) Ferrovias - não poderão ser esquecidas, porque, além de serem o transporte mais econômico,
são dotadas, em muitos casos, de forte vocação turística, como a linha do Douro;

c) Portos - torna-se imperativa a adequação dos terminais portuários do litoral ao moderno


tráfego de passageiros e bagagens, atendendo tanto às linhas regulares quanto aos cruzeiros
marítimos, e, paralelamente, é preciso montar terminais fluviais e lacustres para possibilitar a
criação de circuitos turísticos nos espelhos de água interiores (lagos, lagoas, rios);

d) Aeroportos - em vista de uma utilização mais intensa, os aeroportos instalados nos pólos
turísticos terão de ser ampliados e os situados no interior necessitam ser dotados de equipamento
de apoio aéreo e técnicos habilitados, além de, em muitos casos, precisarem também de
ampliação e recapeamento de suas pistas.

Do ponto de vista das comunicações, um grande esforço precisa ser feito para dotar os centros
turísticos dos equipamentos de telecomunicações que possibilitem o contato rápido e facilitem os
negócios.

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No campo da saúde, especialmente o interior precisa ser dotado de melhores hospitais, centros
cirúrgicos, facilidades de remoção, e de um número bem maior de profissionais de medicina e
enfermagem devidamente habilitados.

No que diz respeito ao saneamento, o interior ainda está muito necessitado de redes de água e
esgotos, sem o que não há núcleo recetor que consiga manter-se.

Os órgãos governamentais de turismo têm pela frente uma árdua gestão política para que os pólos
turísticos sejam atendidos em caráter prioritário.

A modernização dos núcleos recetores


A modernização dos núcleos recetores não pode ser limitada apenas à realização de
reformas na hotelaria.

Os núcleos recetores têm de modernizar sua infraestruturas – sistema de acesso, redes de


comunicação e abastecimento, equipamento básico administrativo, comercial, social e cultural - e,
paralelamente, reformar e ampliar a sua estrutura - meios de hospedagem e alimentação,
equipamento desportivo, recreativo e cultural, e equipamento de receção, tal como agências de
viagens, guias de turismo, etc.

Essa modernização tem de ser planeada e financiada.

Para isso, faz-se necessário estabelecer um programa de modernização dos núcleos


recetores que:

a) Faça um levantamento das necessidades de reforma;

b) Proponha racionalização do consumo de energia e sugira fontes energéticas alternativas;

c) Defina critérios de uso do solo para fins turísticos;

d) Estabeleça critérios de financiamento e selecione as suas fontes;

e) Indique novas oportunidades de investimentos.

A regulamentação dos serviços turísticos


A finalidade da regulamentação dos serviços turísticos é a proteção do turista contra a exploração.

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Assim há que se atuar em quatro frentes:

1. Regulamentação das profissões e atividades turísticas;

2. Registo das associações de classe, dos profissionais e das empresas do setor;

3. Classificação das empresas turísticas segundo padrões internacionais;

4. Monitoramento da qualidade e dos preços dos serviços prestados.

Papel do turismo
Convém notar que a regulamentação dos serviços turísticos deve ser permanente e
abrangente, pelo que se faz necessário não só um intenso trabalho técnico, mas também um
atento esforço normativo.

Assim, a par da execução das funções reguladoras, há que se promover o associativismo de classe
das empresas e dos profissionais do turismo, visando a sua institucionalização como forma de
promover a autofiscalizarão e o aperfeiçoamento das diversas atividades turísticas.

A divulgação de informações turísticas


As informações turísticas, para terem valor, precisam ser relevantes, autênticas, completas,
tratadas e disponíveis.

Assim, tem-se um largo trabalho a desenvolver:

A) Inventariar o patrimônio turístico;

b) Executar estudos de mercado;

c) Elaborar estatísticas confiáveis de turismo;

d) Editar um calendário de eventos turísticos;

e) Produzir folhetos, cartazes e veículos educacionais sobre temas turísticos;

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f) Distribuir press releases (notícias de imprensa previamente redigidas, e com distribuição dirigida
pelo órgão diretamente interessado) e material gravado aos meios de comunicação social,
escritores e líderes de opinião;

g) Exibir em locais públicos, como escolas, associações de bairro, clubes, etc., filmes e fotografias
sobre a atividade turística;

h) Participar de feiras, exposições e outros eventos públicos;

i) Manter centros de informação turística nos locais de maior fluxo, tais como Rodoviárias,
aeroportos, praças, etc.;

j) Desenvolver e manter atualizado um banco de dados com todas as informações turísticas


disponíveis.

Um programa de informações turísticas, pela sua indispensabilidade, deve ser considerado


como um dos sustentáculos do planeamento, e, como tal, tem de receber prioridade na
destinação de recursos.

A conscientização da comunidade
A comunidade conscientiza-se por meio de duas ações distintas:

Uma, frente à população e outra, frente ao empresariado.

A população deve ser alvo de campanhas que:

a) Exaltem o direito às férias pagas e ao lazer;

b) Expliquem a vantagem do reescalonamento das férias escolares, e da distribuição das férias dos
trabalhadores por todos os meses do ano, evitando os efeitos da sazonalidade;

c) Alertem o povo para os efeitos positivos e negativos do turismo, e as vantagens da


hospitalidade;

d) Exibam audiovisuais, filmes e fotos sobre o valor do patrimônio turístico e o zelo popular na sua
preservação;

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e) Promovam concursos públicos sobre temas turísticos;

f) Encorajem a formação de associações de amigos do patrimônio turístico local, e de clubes


voltados para o desfrute dos parques, rios e paisagens naturais.

Os empresários e os profissionais do turismo têm de ser envolvidos em ações diretas que:

a) Motivem a colaboração na restauração e conservação do patrimônio turístico, mormente o


artístico e monumental;

b) Mostrem em que medida interessa aos profissionais do turismo e de atividades


complementares aperfeiçoar o seu conhecimento técnico e a forma de tratamento dos turistas;

c) Conduzam ao patrocínio de atividades desportivas, artísticas e culturais que aumentem o leque


de opções de entretenimento dos turistas;

d) Justifiquem a institucionalização de tarifas de baixa estação;

e) Projetem as profissões turísticas;

f) Incentivem a autenticidade do folclore e artesanato.

A formação de recursos humanos para o


turismo
Os recursos humanos são, também, bases da atividade turística.

Sem bons profissionais não é possível desenvolver o turismo. Por isso, precisa ser criado
um programa de formação turística que:

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a) Promova a formação profissional básica, usando, para tanto, convênios com entidades públicas
e privadas dedicadas à atividade turística;

b) Mantenha cursos de aperfeiçoamento, reciclagem e especialização direcionados às chefias


médias do turismo;

c) Proponha e colabore na reformulação dos currículos dos cursos superiores de turismo, visando
adequá-los às necessidades do mercado de trabalho, e garantindo o estágio profissional;

A promoção do turismo recetivo


A finalidade do esforço governamental no turismo é receber turistas. E para receber
turistas é preciso, antes de tudo, ter um núcleo recetor devidamente preparado, e depois montar
todo um esquema de atração dos fluxos turísticos.

Para preparar o núcleo recetor é necessário:

a) Promover o valor turístico dos centros de recreação e de lazer;

b) Diversificar os serviços turísticos oferecidos, especialmente no que diz respeito ao


entretenimento e animação;

c) Montar programação desportiva, educacional e cultural;

d) Organizar eventos, sobretudo fora da estação alta.

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No que diz respeito ao empresariado, o turismo recetivo pode ser incrementado:

a) Convidando operadores a se familiarizarem com o produto oferecido;

b) Motivando agentes de viagens a investir na ação recetiva.

A comercialização do produto turístico


Existem tantas categorias de turismo quantos os grupos de interesse a serem atendidos.
Cada grupo representa um segmento de mercado distinto que requer uma comercialização
própria.

Mas é o turismo social, que compete ao Estado promover.

Nele se identificam quatro segmentos preferenciais:

1. A terceira idade;

2. Os jovens;

3. Os trabalhadores de baixo ordenado;

4. Os trabalhadores rurais.

Estes grupos sociais precisam ser ajudados e auto ajudar-se a ter acesso ao seu direito ao
turismo e ao lazer.

O governo pode providenciar o financiamento estatal do turismo social de dois modos


distintos:

1. Construindo estrutura turística própria com recursos estatais;

2. Abrindo créditos especiais aos usuários nas organizações bancárias por ele controladas.

Papel do turismo
Por isso, o Estado precisa montar um grande programa de desenvolvimento e interiorização do
turismo, que implemente as duas ações básicas:

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1. Promover o investimento privado, interno e externo, em novos pólos de turismo;

2. Criar rede de pousadas, albergues e campos de férias em caráter pioneiro.

Este programa deve apresentar projetos de complexos turísticos integrais, localizados em novos
polos turísticos e em centros urbanos autoabastecidos e dotados de indústrias complementares.

Algumas dessas localizações serão objeto de legislação prévia de proteção (áreas ou locais de
interesse turístico) e nelas os projetos de desenvolvimento turístico deverão ser progressivamente
enquadrados em um plano integrado que mantenha as peculiaridades locais e os traços culturais
da população.