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Ambiental – 1° Semestre/2005

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Módulo I – Direito do Estado

Diz o princípio primeiro da Declaração de Estocolmo de 1972 que “o homem tem o


direito fundamental à liberdade, à igualdade e a condições de vida satisfatórias, num ambiente cuja
qualidade lhe permita viver com dignidade e bem-estar. Ele tem o dever solene de proteger e de
melhorar o ambiente para as gerações presentes e futuras”.
Com a conciência da situação ambiental que tinhamos, em 1972 surge a Declaração de
Estocolmo. O Direito Ambiental é um ramo novo, surgido a partir dessa Declaração. Antes até havia
normas sobre tal ciência, mas uma preocupação sistemática surge em 1972. As primeiras obras no
Brasil surgem em 75, mas sem sistemática.
Nesta faculdade o curso surgiu a cinco anos, à pedido dos alunos, o que ocorreu em
outras faculdades no mundo.
Pra que que serve o Direito Ambiental? É o conjunto de normas para preservar o
ambiente e a qualidade de vida, de forma bem genérica. Se observado como ciência, objeto de
estudo, será a sitematização das normas que existem no ordenamento, facilitando sua compreensão.
Haveria alguma possibilidade profissional com essa matéria? Esse espaço existe, mas
não tão difundido como os demais. Alguns escritórios e consultorias tratam de estudos relativos ao
meio ambiente. Fora isso, há um campo grande junto ao Meio Ambiente, por meio de inquéritos
civis, além de grupos da Magistratura que tratam sobre tais matérias.
O primeiro princípio da Declaração de Estocolmo, acabou com uma colocação do meio
ambiente saudável como fundamental para o desenvolvimento e a vida. As Constituições
posteriores já possuem a proteção dos Direitos Ambientais. Também são parte da 3° geração. A
primeira são os direitos de liberdade, a segunda é relativa à igualdade e a terceira é a fratenidade,
com ações que extrapolam o indivíduo passando para toda sociedade.
Em nossa CF, está no caput do 225 a proteção do meio ambiente, mas é considerado um
Direito Fundamental.
As características desse ramo é sua novidade, a transversalidade, ou horizontalidade, ou
ainda de interações. A questão ambiental está presente em outros ramos do direito. Por outro lado,
ele recebe influência desses outros ramos. Essa característica está ligada ao caráter interdisciplinar
da própria matéria.
Outra característica é a vocação à universalidade. Há algumas peculiaridades que
diferenciam os países, mas a tendência à singularidade é a regra. Tanto que há a presença do Direito
Internacional e a entrada de tratados nos sistemas dos países.
Outra ainda é seu caráter público da matéria. Existe certos aspectos com o direito
privado, como na parte de propriedade, mas de qualquer forma é uma relação do ser humano com
seu entorno, que tem caráter público. Ao preservar o meio ambiente, temos reflexo no bem-estar das
pessoas, misturando o biocentro com o o antropocentro.
Uma ligação com o direito ambiental é seu aspecto difuso. Claro que poderemos ter
questões ambientais individuais, quando, por exemplo, um fato prejudica uma única pessoa, por
exemplo, mas sem dúvida há um predomínio do aspecto difuso, e por isso ser um requisito de Ações
Coletivas.
Há também uma dispersão legislativa. Houve até mesmo a tentativa de se elaborar
código ambiental, tanto federal como no Estado de São Paulo, mas manteve-se sua dispersão.
Temos normas constitucionais, leis, decretos, instruções e disso surge a questão de se seria
importante um Código. A existência de um código traria alguns problemas, e entre eles o
engessamento de uma matéria muito recente, dinâmica e multidisciplinar. Porém, em princípio,
traria uma melhor sistemática. É uma questão controvertida, com visões válidas para ambos os
lados.
Partindo para os princípios, temos que todo ramo do direito possui seus princípios,
como também seu objeto próprio. Como é uma disciplina nova, há uma discussão acadêmica se é
autonoma ou não. Existem várias correntes, mas sem uma conclusão até o momento. Mas o Direito
possui seu objeto próprio e seus princípios.
O primeiro princípio é o Princípio do Desenvolvimento Sustentável, ou
sustentabilidade. Será desenvolvido junto ao Direito Econômico e, em sintese, é o uso dos recursos
naturais sem exaurimento de tal forma que as gerações atuais e futuras possam usufruí-los. Na parte
final do primeiro princípio de Estocolmo trouxe uma semente de Desenvolvimento Sustentável, mas
se desenvolveu diante uma comissão da ONU criada em 1985, e presidida por Gro Harlem
Brundtland, norueguesa. EM 1987 foi publicado o resultado dessa comissão e chamado
informalmente de Relatório Brundtland, mas oficialmente de Relatório Nosso Futuro para Todos. A
Declaração do Rio de 1992 sustenta isso em seus princípios 3 e 4.
Outro é a Solidariedade. A tônica da terceira geração é a fratenidade ou solidariedade, e
no Meio Ambiente, há a necessidade de todos cooperarem na preservação do mesmo. A Declaração
do Rio ressalta esse princípio nos artigos (ou princípios) 7 e 27, com uma cooperação dos Estados,
com maior encargo aos mais desenvolvidos, bem como a cooperação para colocação em prática das
declarações desse documento.
Outro ainda é o da Prevenção. Este é muito ligado ao ditado popular de melhor prevenir
do que remediar, ainda mais pq muitos danos ambientais são de dificil, ou impossível, recuperação.
Então o Direito Ambiental também possui medidas repressivas, mas destaca-se a prevenção. Um
instrumento é a exigência de estudos de impacto ambiental antes da construção de
empreendimentos, movidos por uma equipe multidisciplinar para avaliar as consequências dessa
obra, sem o qual ou impede-se a construção ou solicita modificações necessárias. Outro instrumento
é que as decisões do poder público seja levado em conta a questão ambiental. Ainda outro é o
licenciamento de atividades de obras e empreendimentos, em que o estudo do impacto é uma fase
desse licenciamento.
A Correção na Fonte é o quarto princípio, no qual impede-se o dano ambiental na sua
origem, como por exemplo a exigência de filtros e catalisadores em veículos automotores. É a
prevenção do dano na origem. Outro caso é a proibição de utilização de materias não-
biodegradáveis.
O quinto princípio é o da Precaução. Apesar da proximidade gramatical com o termo
Prevenção, tanto que autores estudam os dois conjuntamente, a diferença está no sentido de
prevenção, mas havendo uma incerteza sobre os resultados de um empreendimento, ou ainda um
risco no qual você não poderá calcular, se proíbe. Um exemplo é o caso dos Trangênicos, com
discussão mundial a respeito dos mesmos. É polêmico e controvertido. Na Declaração do Rio, no
princípio 15, na ausência de certeza científica, não se deve postergar medidas necessárias para a
preservação da natureza.
O sexto arrolado é um princípio famoso, chamado de Poluidor-Pagador, pelo qual,
apesar de um nome questionável, vez que numa primeira leitura poderia autorizar o poluidor a
continuar poluindo pagando, com vozes alterando seu nome para Usuário-Pagado, imputa a
responsabilidade com o técnicas de pagamento, compensação ou reparação. Na Declaração do Rio,
o mesmo está arrolado no princípio 16. Algumas consequências são que alguns países cobram uma
taxa em razão da poluição, vinculando o Direito Ambiental ao Direito Tributário, em que a taxação
é vultuosa, para criar um gravame à poluição ambiental, ou então com técnicas de compensação
ambiental, como o reflorestamento, por exemplo.
Outro princípio, não exclusivo no Direito Ambiental, e colocado até como único, é o da
Informação e Participação. Possui um relevo no Direito Ambiental e no art. 225 da CF está
afirmado o mesmo, bem como no Princípio Primeiro da Declaração de Estocolmo. Existe uma
necessidade prévia de informação para proporcionar ao cidadão os mecanismos necessários para
preservar o Meio Ambiente, bem como a Participação, e até mesmo a manifestação pública, ao
exigir o respeito ao Meio Ambiente. A informação poderá levar a população à participação. Um dos
principais papéis das associações ambientalistas é a informação, com folhetins, propagandas,
congressos, bem como participam de conselhos governamentais, como o CONAMA, que possui
poder normativo. Fora isso, há uma participação ao serem ouvidas pelos governos ao elaborar
normas relativas ao meio ambiente. Essas associações são sujeitos ativos nas ações civis públicas
em questões relativas à preservação do meio ambiente, além de sua participação em audiência
pública junto a órgãos do Poder. Fora isso, temos ligado a esse princípio a educação ambiental,
assegurada pela Constituição, mas com lei regulamentada apenas 11 anos depois da mesma, de
forma a informar, formando um pensamento ambiental, e participar das discussões cabíveis. A
legislação ambiental brasileira é de ótima qualidade, mas um problema vivido é a questão da
efetividade da mesma, bem como um déficit de conhecimento da população.

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O tratamento dado pela CF ao meio ambiente

A conciência ambiental se destacou a partir da Conferência de Estocolmo, sendo que as


constituições posteriores começaram a tratar do meio ambiente. A CF possui alguns preceitos no
225, bem como outras distribuidas em seu texto. Por exemplo, na ação popular ou como matéria de
defesa do MP. No artigo 186, inciso II, a preservação do ambiente e elementos naturais é uma das
funções sociais da propriedade.
Agora, no 225, no título da ordem social, possui em seu caput a declaração de que todos
possuem direito a um meio ambiente equilibrado. Já se dizia de um desenvolvimento equilibrado. É
um bem de uso comum do povo, que se destina ao uso de todos indistinamente. Tal uso deve ser
garantido pelo poder público. Tal e a caracterização dada pela Constituição. Há o dever do poder
público para preservá-lo, bem como para a coletividade. É o primeiro princípio.
O parágrafo primeiro será o segundo bloco, arrolando alguns instrumentos importantes
para o poder público. Entre eles, cabe ao poder público definir os espaços protegidos. Com a lei
9985/2000, surge o SNUC que sistematiza os espaços territoriais protegidos, com regras de uso.
Também há a necessidade de estudo de impacto ambiental obrigatório. O controle de emprego e
método de aplicação de substâncias que prejudicam o ambiente. A proteção da fauna e flora.
Promover a educação ambiental.
No terceiro bloco, com normas específicas está nos parágrafos seguintes, como na
exploração de recursos minerais, a responsabilidade pelos danos causados no meio ambiente, o
patrimônio nacional ambiental e seu uso dentro da lei que assegure a preservação do meio ambiente,
a indisponibilidade de terras devolutas para preservação do meio ambiente.

Competências Constitucionais

Todo estado federal tem como ponto fundamental a divisão de competência. Há a


competência legislativa e a competência material ou administrativa.
Na legislativa, temos a privativa e a concorrente. Na materia, a privativa e a comum.
A competência legislativa privativa quando uma só entidade tem competência para
legislar. Por exemplo, a competência da União para legislar sobre Direito Penal. Na Concorrente, há
competência para que todos possam legislar sobre a mesma matéria, segundo o artigo 24, mas se
tratar de competência concorrente, a União fica com as normas gerais, que conferem as diretrizes da
matéria, cabendo aos Estados e Municípios complementar tais normas.
Na materia privativa é competência para fazer privativamente, como a de emissão de
moedas da União. Uma competência materia comum pode ser considerado o caso da Saúde, em que
todos podem atuar nessa área, se envolvendo nesse assunto.
Para o meio ambiente, em matéria de competência para legislar temos para a União
estabelecer normas gerais, como a política do meio ambiente. E há algumas competências privativas
da União. O sistema de recursos hídricos é de competência da União. Há um grande número de
competências concorrentes, conforme o artigo 24. Em seu caput a União e os Estados podem
legislar sobre meio ambiente, o que sucita dúvida sobre se o Município poderia legislar. A
conclusão é de que se poderia dentro de seu território, porque há um dever de todos os entes estatais
em proteger o ambiente, o que necessita de competência legislativa, além da possibilidade de
suplementar a legislação Estadual e Federal.
As matérias no artigo 24, são, nos incisos VI, VII, VIII, arroladas. A responsabilidade
sempre implina no dano causado. A consequência pode ser uma reparação, uma apreensão, uma
sanção penal, mas não pode haver uma legislação concorrente penal quanto a isso, sendo só a União
capaz que expedir normas penais. O mesmo com normas civis.

Nas atuações preventivas e repressivas

Atuações preventivas são para evitar que os danos ambientais ocorram. São atividades
de vigilância. Há o desdobramento dessa vigilância quando às medições da qualidade do ar. Em São
Paulo quem faz a medição é a CETESB. Outra atividade é a medição da qualidade de água do mar,
de rios , represas, reservatórios. Ainda numa atividade preventiva uma educação ambiental,
campanhas publicitárias em favor do meio ambiente, coleta seletiva de lixo. Todas essas medidas
não são medidas relacionadas ao poder de polícia. Este é a atuação da administração que vai trazer
a restrição ao direito de uma pessoa. Nos casos acima, não há restrição a nenhum direito. Mas no
caso de vigilância em área rural para verificação de queimadas, desmatamentos, enquanto no ar, não
estará restringindo direitos, mas ao acessar a área, haveria a restrição de direito de propriedade, o
que seria uma atividade preventiva com uso do poder de polícia, o mesmo ocorrendo a obrigação de
combater os danos na fonte, como a limitação da atividade econômica de acordo com essa
prescrição.
Uma das atuações preventivas que são utilizadas por meio de poder de polícia é a
exigência de EIA-RIMA, que tem respaldo constitucional, que é o estudo de impacto ambiental, que
é um exame que visa verificar os danos ao meio ambiente em razão de um empreendimento.
Mesmo com a obra já iniciada, pode-se exigir se não houve uma exigência antes. O EIA contém
dados, às vezes altamente técnicos, para mostras as consequencias ao meio ambiente, às vezes
solicitando modificações na obra. O RIMA é o relatório de impacto ambiental é o EIA traduzido a
uma linguagem acessível, facilidando a interpretação dos resultados. Está fundamentada no artigo
225, inciso IV, da CF, bem como a lei 6938/81, lei nacional pioneira relativa ao meio ambiente e já
fazia a previsão do estudo ambiental. Além disso, há a resolução CONAMA 1/86. Possuimos um
Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA). Há um órgão superior, que não funciona, que
conforme a lei 6938, formado por ministros. Existe um órgão deliberativo e consultivo, que é o
CONAMA, formado por membros dos ministérios, estados, alguns municípios, entre outros, e emite
normas do meio ambiente sob a forma de resolução. A resolução 1/86 é o mais importante, que fala
sobre o estudo de impacto ambiental. Além disso, há o decreto 99274/90, que regulamenta a lei
6938, a resolução 9/87 sobre audiência pública e a resolução 237/97.
A legislação fala que o estudo prévio for quando a obra causar uma significativa
degradação do meio ambiente. Seria um impacto forte no meio ambiente. Primeiro existe uma lista
exemplificativa em resolução da CONAMA, como rodovias com duas ou mais faixas de rolamento,
aterros sanitários, ferrovias, aeroportos, portos. Quem vai afirmar se precisa ou não é o órgão
licenciador, como o IBAMA, os órgãos estaduais e municipais de meio ambiente.
À baixo do CONAMA há o IBAMA que é órgão executor. Também existem órgãos
ambientais criadas pelos estados, variando a modelagem em cada um, e os órgãos locais de meio
ambiente. Se o órgão ambiental não exigir, habitualmente o MP ou alguma associação move
judicialmente essa solicitação.
Uma equipe multidisciplinar realiza o EIA-RIMA, variando os componentes,
dependendo do tipo de obra. Para esses profissionais trabalharem nessa elaboração, deve estar
cadastrados junto ao IBAMA. Essa inscrição acaba vinculando o profissional, podendo haver uma
responsabilização caso haja de forma não diligente. O pagamento desses profissionais é o
empreendedor. Há uma possível tendencionsidade no relatório, mas os órgãos públicos possuem um
corpo de funcionários técnicos que podem questionar o relatório, a realização de audiência pública
anunciada sob as custas do empreendedor, comparecendo MP, associações e cidadãos. Se não
realizar, pode ser solicitado pelo MP, associação, ou pelo menos 50 cidadãos, e se não realizar o
licenciamento é nulo. Além disso, a autoridade ambiental pode não aceitar o EIA-RIMA ou mandar
adaptar o projeto. Os empreendedores e os técnicos podem ser responsabilizados por dolo ou culpa.
Todas essas características são o contraponto do pagamento pelo empreendedor da realização do
EIA-RIMA.
A elaboração do EIA-RIMA segue as diretrizes solicitadas. O órgão ambiental pode até
mesmo impor outras diretrizes para a elaboração do EIA-RIMA.
Além das audiências públicas, ainda há a obrigatoriedade de disponibilização de cópias
para as bibliotecas dos órgãos do IBAMA e secretaria estadual do meio ambiente facilitando o
acesso de qualquer um. Outro item para a transparencia e publicidade.

Licenciamento

Como um desdobramento do Princípio da Prevenção é a exigência de licenciamento de


obras e empreendimentos que possam causar danos ao meio ambiente. O particular tem um
processo, previsto na Resolução 237/97. Quando o Poder Público recebe um projéto, publica o
anuncio do recebimento de requerimento de licença, bem como do recebimento do EIA-RIMA, em
DO e jornal de circulação, sob as custas do empreendedor. Se não houver o anúncio ou a realização
de audiência, podem ser requeridos como dito antes.
A autoridade pode indeferir o projeto, solicitar modificações ou aprovar. Depois de
audiência pública e aprovação do EIA-RIMA, faz-se um parecer e a autoridade decide. Há três fases
da licença ambiental.
Temos a licença prévia, que diz que é viável iniciar a obra e fixa os requisitos básicos
para que o projeto se viabilize. Essa licença prévia não pode ter prazo superior a 5 anos. Se a obra
não viabilizar na 2ª fase, caduca e inicia-se tudo de novo.
Depois, temos a licença de instalação, com prazo não superior a 6 anos. Na licença de
instalação há o consentimento para o início de sua implementação. Se não houver atuações no prazo
dado, caduca e inicia-se tudo novamente.
Por fim, a licença de operação, possibilitando que o empreendimento funcione, após
verificar que as demais foram cumpridas, com o mínimo de 4 anos e máximo de 10 anos. Ela não é
definitiva, com tempo de vigência, verificando os resultados ambientais decorrentes do
funcionamento do empreendimento. A renovação pode não ser dada pelo órgão.

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As infrações e sanções administrativas ambientais

Encontramos junto com as infrações e sanções ambientais, as infrações e sanções


penais. Havendo o dano, é responsabilizado civilmente e penalmente. As sanções administrativas já
haviam em leis ambientais. Isso tudo foi sistematizado na chamada lei dos crimes ambientais
9605/1998. Apesar do nome, também possui sanções sistemáticas administrativas. A parte
administrativa foi regulada pelo decreto 3179/2001 e trás a disciplina dessas normas.
Na lei 9605 há uma relação de crimes ambientais e não menciona quais são as infrações
administrativas. No art. 70 afirma que será uma ação ou omissão que viole as regras jurídicas de
proteção ao meio ambiente. Essa definição vale para o crime também, não trazendo um
esclarecimento do que seja uma infração administrativa. As mesmas condutas como crimes
ambientais são arroladas como infrações administrativas, com sanções de aspectos administrativos,
conforme consta no decreto. O que nos leva a raciocinar que uma mesma conduta pode levar a uma
sanção penal e uma administrativa cumulativamente, vez sua natureza distinta, não ocorrendo o bis
in idem, mas há uma confusão relativos à gravidade, por exemplo, ja que a sanção penal possui um
aspecto mais grave que a administrativa.
No decreto temos arrolada as infrações. Em seu início, temos sanções contra a fauna,
como matar, perseguir, caçar, utilizar espécie da fauna silvestre sem a devida autorização da
autoridade competente, prevendo multa de 500 reais, por exemplo. Há uma relação de condutas que
podem ser objeto de sanções administrativas.
No artigo 72 da lei, há arrolada as sanções possíveis. É o princípio da legalidade. Pode
ser advertência, multa simples, multa diária, apreensao de animais, produtos, subprodutos,
equipamentos de qqer natureza, destruição, etc. Dentre as restritivas de direitos é pertinente sua
aplicação às pessoas jurídicas, como o cancelamento ou suspensão de autorização, a perda de
benefícios fiscais, proibição de contratar com a administração por três anos, entre outras.
A 9605 prevê no art. 70, § 4°, e no caput do 71, um processo administrativo para a
aplicação de sanção.É dada a garantia do contraditório e da ampla defesa. Em matéria de sanção
administrativa, se for observado a violação ao meio ambiente, a administração deve atuar,
apreendendo equipamentos e produtos, em que a defesa prévia é inviável, fez sua irreparabilidade
ou dificil reparação.Haverá, então, defesa posterior. Se prevê também condições de atuação do
infrator, como se é a primeira vez ou se já cometeu outra infração.
Deve-se ater também a proporcionalidade entre a sanção que irá se aplicar e a ainfração,
além de se ater às circunstâncias da ação. Se for algo reiterado, haverá, então, uma maior sanção; se
boa-fé, deve-se levar em consideração.
Em casos de multa, é dificil haver uma defesa prévia, no sentido de vencimento da
multa aplicada.
A aplicação e constatação das sanções são feitas pelos órgãos do SISNAMA por meio
de seus agentes de fiscalização. Os agentes de fiscalização, verificando a infração, aplicam a
sanção. Além desses, a capitania dos portos podem aplicar sanções ambientais.
Como os três níveis podem penalizar administrativamente, os três podem aplicar uma
sanção sobre um mesmo ato? Todos os órgãos, como no Direito do Consumidor, podem aplicar as
sanções. Nas competências comuns, art. 23 da CF, todos têm competência para verificar a sanção e
aplicar a sanção. Além disso, com a atribuição a todos a competência é um reforço na proteção
ambiental. A lei define a diretriz, no qual a sanção municipal substitui a dos demais órgãos e a do
estado prevalece a da união. Não haveria uma discricionaridade quando a medida da sanção, sendo
uma mais leve e outra mais pesada? Isso pode ocorrer, ainda mais porque em alguns casos teremos
uma gradação entre as sanções, e a autoridade, com atuação equilibrada, determinar a sanção.
Sempre lembrando que há o procedimento de contestação no âmbito administrativo, além do poder
de revisão do Judiciário. Nem sempre é possível fazer uma quantificação exata do dano.
Sempre a sanção é uma só, e se houver conflito entre entes de mesma hierarquia legal,
os órgãos do Estado deverão definir qual o competente, ou então levar à alçada do órgão superior,
como a União, já que trata de órgãos inferiores de mesma hierarquia.
O infrator pode se livrar da sanção a partir da assinatura de um termo de compromisso.
Isso surgiu com a inclusão do art. 79A na lei de crimes ambientais, surgida pela Medida Provisória
de 1998, e hoje é a MP 2163-41/2001. O infrator e o órgão público ambiental fazem um acordo para
que o infrator adapte sua atuação às regras ambientais dentro de um determinado prazo estipulado
no Termo de Compromisso. Quando a MP saiu, com a atenuação da lei, houve um movimento
grande, até mesmo uma movimentação na casa, contra o prazo fixado na redação original da MP,
que previa o prazo de 5 anos para se adaptar, prorrogável por mais 5. Tal movimento proporcionou
um prazo máximo de 3 anos, prorrogável por igual período. Ainda é alto, mas houve uma
diminuição do original.
Não houve sua transformação em lei, pois todas as criadas antes da EC32 ficaram
prevalecendo sem necessidade de aprovação. A base do termo de compromisso é uma medida
provisória de 2001 e se mantém.
O efeito do termo de compromisso suspende a aplicação da sanção. O termo de
compromisso tem valor de título extrajudicial. Se não houver o cumprimento do termo haverá a
aplicação da sanção, tanto por desatendimento do Termo, sem prejuízo de perdas e danos, bem
como a sanção originalmente prevista. Existem controvérsias quanto ao termo de compromisso.
Não se confunde com o âmbito do Ministério Público, decorrente de norma da Lei da ACP, já que o
termo em tela é promovido pela administração. Com o termo de compromisso, não há necessidade
de recorrer ao Judiciário para o fim da lesão ao meio ambiente.
Intrumentos judiciais de defesa do meio ambiente. São três as principais, envolvendo a
administração pública e o Ministério Público.
Temos primeiramente o Mandado de Segurança Coletivo, podendo ser o individual. A
CF, art. 5°, inc. LXX, define-o. Temos como impetrantes sindicatos e associações para defesa dos
direitos de seus filiados. Aqui o Mandado de Segurança impetrado contra autoridade ou funções que
seriam da autoridade em defesa de seus associados. Os moradores de um bairro, em associação,
podem solicitar medidas do órgão público contra uma indústria que polui toda essa região, ou então
uma indústria não fornece os equipamentos necessários para o trabalho. Outro impetrante é o
partido político com representante no Congresso Nacional. O MP será o fiscal da lei, opinando no
caso, não vinculando o juiz. A decisão pode ser para suprir uma omissão do órgão público, ou
proibir uma ação lesiva. Por ser um Mandado de Segurança, há a necessidade de direito líquido e
certo, comprovado por documentos. Se for necessário exames locais, como vistoria, não é cabível o
Mandado de Segurança.
Outra ação é a Ação Popular, que está na CF, art. 5°, inc LXXIII. Ela tem a
característica de ser o sujeito ativo o próprio cidadão. O cidadão no sentido estrito, protador de
direitos políticos. A CF coloca como um dos objetos o meio ambiente. Aqui encontramos algumas
dificuldades em seu uso, já que o cidadão terá que contratar advogado, terá que gastar para colher as
provas, e, às vezes, terá também dificuldade de obtê-las. É uma dificuldade material para o sujeito
ativo. O sujeito passivo é a autoridade em razão de ação ou omissão e também os beneficiários da
medida da autoridade pública. Se uma licença for dada ilegalmente, cabe essa ação e no pólo ativo
teremos aquele que recebeu a licença, podendo ser condenado até mesmo a ressarcir o dano
causado. Tanto no caso do Mandado de Segurança como na Ação Popular é cabível a liminar,
determinando a suspensão da ação ou ordenando a ação. O integrante do MP também será o fiscal
da lei. Não poderá ser autor. Se o autor desistir por qualquer razão, o MP poderá refletir se é ou não
importante a decisão judicial. Se considerar que deve continuar, fará a parte de autor até o fim.
Em matéria ambiental, vemos o maior uso da Ação Civil Pública. Há uma base
constitucional para o Ministério Público no artigo 127, em um de seus incisos. Ela foi introduzida
pela lei 7347/85 e seu sentido é poder ser movida contra a administração pública como entes
privados. Seu objetivo é proporcionar uma obrigação de fazer ou não-fazer, com ou sem
indenização. Tal ação possui um variado objeto, nos interessando aqui o meio ambiente. Os autores
da ACP é, primeiramente o Ministério Público, os entes da Administração Pública, os entes da
Administração Indireta, mas são poucas as vezes que estes dois últimos a utilizam. Outros autores
são as associações civil ambientalistas, em que o objeto é a defesa do meio ambiente, com pelo
menos um ano de funcionamento e existência legal, evitando-se que se criem associações para
mover a ACP, mas houe uma atenuação dessa exigência, em que o juiz tem a possibilidade de
relevar esse requisito legal se a matéria for considerada pelo juiz de grande relevo. A existênca legal
é necessária. Quem mais usa esse meio é o MP e as associações. O sujeito passivo é a autoridade e o
particular. Se o MP não agir como autor, será o fiscal da lei, oferecendo parecer. A ação será no
local do dano, pelo procedimento ordinário, podendo o MP iniciar um inquérito civil previamente,
podendo até mesmo ocorrer uma celebração de um Termo de Compromisso. Também cabe liminar.
Esse é o panorama sucinto das ações coletivas em meio ambiente.

8/4

Módulo de Econômico e Financeiro

Se é verdadeiro que a existência humana agride o meio ambiente, o Direito Ambiental


tem a tarefa de minimizar a degradação desse meio. Não é neutralizar, vez que sua integralidade é
impossível. Então, temos como grande desafio mitigar a atividade humana no meio ambiente e
postergar a existência humana.
Só para fins de organização do raciocício, o grande desafio do Direito Econômico será
minimizar os danos ao meio ambiente.
O que os economistas dizem que o papel do direito em questão ambiental? Retornando
em que todo modelo de concorrência perfeita só se encontra nos manuais de economia, não testado
empiricamente, tem uma função importante para que as realidades complexas sejam simplificadas
para o estudo pela racionalidade humana. De acordo com isso, o modelo de concorrência perfeita
consiste nas características específicas. O poder de mercado significa o poder de oscilação de preço
por um agente, o que não haveria em um modelo de concorrência perfeita. Além da necessidade de
agentes atomizados, os preços em um modelo de concorrência perfeita reflete os custos da produção
do bem. Não existe poder de mercado; não existe economias de escala, com a diminuição dos custos
fixos; não existem custos de transação; não existe externalidades, que é justamente o custo
transferido entre unidades ou agentes econômicas, sem que esse custo siga as regras de mercado;
não existe bens públicos.
O problema das externalidades negativas em geral, é a tendência é uma maior oferta. Na
externalidade positiva, terá desincentivo econômico para continuar implementando tal
empreendimento.
A partir de modelos, os economistas definem os mercados reais como falhos. Um dos
problemas observados é a falha na divulgação da informação.
Uma das coisas mais próxima de uma concorrência perfeita é uma feira-livre. Outro
exemplo, mas longe de ser igual, é a bolsa de valores, mas neste sempre haverá um grupo
privilegiado de informações. Daí surge a necessidade de regulação de mercados, de forma a tentar
corrigir suas falhas. O Direito é o mecanismo pelo qual os mercados são vigiados.